Bruna Bruninha GP 81 – A fantasia das cinco vezes – Segunda fantasia

Suited man seated on green sofa speaking with woman in blue dress

–  Você pode vir de novo com aquele vestidinho bem simples e mais nada? – me pediu o Doutor Rogério quando me ligou para combinarmos o meu segundo trabalho… nosso segundo encontro.

– Mais nada? – perguntei.

– Também não, né. Estou falando… eu quero você como uma menina vestida de modo simples no seu dia a dia, vestido, calcinha, tênis, nada de coisas extravagantes

E foi bem assim, vestida de modo bem simples que fui, mais uma vez, atender ao homem.

Hoje ele deve me comer, eu pensava, enquanto caminhava (acho que eu voava) pela calçada da avenida Paulista, passando por pessoas que iam e que vinham sem que eu soubesse o que cada uma delas estava fazendo, sem que cada nenhuma delas soubesse o que eu estava fazendo.

– Vou ali, dar para um velho em troca de dinheiro. – eu dia, a cada uma delas.

Mas eu não achava o Senhor Rogério um velho, não acho nenhum homem velho. Cada um tem a sua idade. Um dia também eu estarei velha (espero).

E também não me sinto mal em fazer o que faço, pois a verdade é que não estou fazendo mal algum, muito pela contrário.

– Oi Sandra! – cumprimentei, ao entrar naquele prédio sombrio pela terceira vez.

– Nossa! Você me chamando de Sandra! Eu…

– Ah! Desculpe. Eu…

– Não é isso. É uma alegria.

– Alegria?

– Claro! Alegria por você não ter me chamado de senhora, e também…

– Também o quê?

– Ele te chamou, não é? Deve estar com tesonite aguda.

– Tesonite aguda!?

– É. Tem dias que ele está assim, só querendo. Ontem ele me chamou lá em cima, me pegou… pensei que não ia me largar mais. E hoje ele chamou você…

– Será que vai me comer também? Porque noutro dia ele não comeu e…

– E nem vai comer.

– Não!?

– É a segunda vez que você vem, não é?

– É.

– Então não é dia ainda dele te comer.

– Não? Ele vai fazer o quê, então?

– Te comer ele não vai… hoje não. Sobe lá que você vai ver… e vai gostar, viu.

A dona Sandra… quer dizer, a Sandra, não me falou mais nada, só mandou que eu subisse logo, que o Doutor Rogério já estava me esperando.

Quem me falou foi ele.

…

– Posso te contar uma história? – ele perguntou, assim que me recebeu na sua sala e me deu aquela conferida.

– Claro! – falei, sentando no sofá, onde ele tinha apontado para eu sentar.

Deu um tempo, e começou:

– Eu era ainda bem molecote, naquela fase difícil, cheio de energia… você entende. Mas eu era também cheio de timidez. Na verdade, acho que era mais do que timidez, eu era travado mesmo. Mas não era travado em tudo, até tinha minhas amizades, conversava e brincava com meninos e meninas, tudo de igual. O meu problema era com as meninas na hora de falar com ela sobre certas coisas, você sabe, sobre namoro, dizer que gostava… eu simplesmente travava. Não sei se você entende.

– Acho que entendo sim, Senhor Rogério. Já conheci meninos tímidos, e meninas também.

– Mas acho que travado você nunca viu. Sabe… sempre tinha uma menina ou outra que eu gostava, que eu queria falar com elas, mas eu ficava só no querer, só na imaginação.

– Imaginação?

– Sim… imaginando falar com uma delas ou, então, fazer coisas…

– Fazer coisas?

– Deixa eu contar… teve uma época que a dona Rute, que era empregada lá de casa, precisou trazer a filha dela junto. Uma menina da minha idade, um pouco menos, linda, linda, linda. Então achei que com ela, pelo muito de tempo que tínhamos na casa, e também pelo fato de eu ser filho dos patrões e ela filha da empregada… uma coisa boba, idiota isso… não tinha nada a ver, eu respeitava a menina da mesma forma que respeitava qualquer outra… e foi aí que errei, que sempre errei… sempre respeitei.

– E desde quando respeitar é um erro, senhor Rogério?

– Desde que você respeite ao ponto de colocar a pessoa como uma divindade intocável.

– Como assim?

– Você vai entender. Mariana, a filha da dona Rute, era uma deusa, uma pureza, uma castidade que não podia ser violada, maculada, eu era um perverso que… um perverso que queria possuir a menina, mas, ao mesmo tempo, queria respeitar a sua pureza… então eu ficava imaginando, imaginando, só imaginando…

– Imaginando o quê, senhor Rogério?

– Levanta, fica ali naquela parede.

Vai me masturbar outra vez, pensei.

Me masturbou sim, mas não com a mão, com o dedo.

Ficou ajoelhado aos meus pés, me fez segurar o vestido levantado, ficou olhando admirado para a minha calcinha, foi aproximando a boca, os lábios, a língua, da minha calcinha…

Me vi um dia perto do riacho, recostada numa árvore, o Bilula me chupando. 

O Bilula queria me namorar, eu até gostava dele, mas não a ponto de namorar, só mesmo para dar uns pegas. Mas ele queria me agradar, mostrar que podia me levar às nuvens, e me levava.

Virgem ainda, e pouco encorajada a começar a transar, só podia mesmo os pegas, e ele só podia mesmo, baixar minha calcinha, passar a língua, passar a língua…

Bilula, por onde anda?

– Senhor Rogério… Senhor Rogério…

Eu é que devia estar chupando, eu é que devia… ele é quem estava pagando.

O Bilula me fazia gozar intensamente.

– Mariana… hummmm… Mariana… – o Doutor Rogério murmurava, repetia, enquanto me chupava, beijava, lambia, mordiscava… – Mariana.

E a Mariana gozou… intensamente.

Eu a puta, ele o cliente, só que ele, o pagante, é quem me fazia gozar.

Isso porque a Mariana, a verdadeira Mariana, nunca gozou com ele, nunca fez ele gozar, e ainda acabou deixando ele num estado da mais pura lamentação, por culpa dele mesmo, coisa que ele nunca conseguiu se perdoar.

…

Depois do fenomenal orgasmo que o Doutor Rogério me provocou, me chupando, ele se levantou, esperou que eu me recuperasse, e começou a falar.

– Era assim que eu imaginava com ela, diante da pureza que eu achava que ela tinha… eu achava.

– E ela não tinha?

– Passados uns seis ou sete anos que ela já não acompanhava a mãe no trabalho, um dia ela apareceu na casa, estava com um namorado. Conversamos normalmente até que consegui cavar um pequeno momento a sós com ela, quando então pedi que ela voltasse no dia seguinte, sozinha. Ela perguntou pra quê e então falei tudo aquilo que antes eu não tinha a menor coragem de falar. E o que eu ouvi virou o meu mundo de ponta cabeça.

– O que foi que o senhor ouviu? – perguntei, diante do longo silêncio que ele havia feito.

– Agora, Rogério… agora? Quando eu vinha aqui, quando eu estava afim, quando eu queria, quando só faltava eu ficar pelada na sua frente… ninguém mandou ser bobo.

– Que horror! – foi a única coisa que consegui exclamar.

– Nem me fale, mas… posso me vingar?

– Se vingar dela… como?

– Por favor, apenas deixe.

– Deixar o quê?

Deixar ele me colocar de joelhos, tirar seu pau, pegar, colocar na boca…

– Mariana… eu sei que fui um besta, sei que podia ter te comido naqueles tempos, sei que…

Quantas palavras o Doutor Rogério disse, o quanto se lamentou, o quanto xingou a si mesmo!

Foram longos minutos de lamentação e xingamentos, enquanto ele agarrava a Mariana pelos cabelos, socava profundamente o pau na sua boca, socava…

Valeram as bananas com as quais um dia eu havia treinado garganta profunda, valeram as muitas vezes que eu havia feito garganta profunda.

E dessa vez, não apenas o Doutor Rogério gozou como também me inundou a boca num mar de creme salgado.

Chegou a machucar, ficar dolorido por alguns dias.

…

O que mais o Doutor Rogério imagina fazer com a Mariana?

Era o que eu me perguntava, caminhando de volta para casa, numa tarde de sol gostoso, pessoas indo e vindo…




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