Como me livrar de uma priminha

Três jovens junto a uma mangueira carregada

Vivido por: Alexandre J. P.(1998)
Curitiba – PR
Transcrito por: Anna Riglane

Não sei se preciso de um terapeuta, um advogado ou assassino de aluguel…

Brincadeira.

Mas sei, e isso é verdade, eu preciso me livrar de uma prima minha, afastá-la da minha vida ou, pelo menos, fazê-la entender o risco que ela está me fazendo correr.

Vou explicar.

Hoje tenho 28 anos e estou num noivado sério, para o casamento só falta marcar a data.

Mas, ali pelos meus 20 anos, quando eu saía muito para as baladas da vida, num dos dias em que levei minha sobrinha Jennifer junto, lá pelas tantas, acabamos num motel. E depois tiveram outras baladas, outros motéis, mesmo ela tendo um namorado firme na época.

Mas deixa esclarecer que a Jennifer tem a mesma idade que eu, é filha da minha irmã mais velha. E também esclarecer que nossas moteladas sempre foram por pura zoeira, diversão, desestresse; nunca assumimos nenhum compromisso, e nem podíamos… tio e sobrinha.

Isso foi por uns três anos, mais ou menos, até que ela terminou com aquele namorado, arranjou um outro, e me deu a sentença:

– Essa foi a última vez, tá!

Aceitei de boa, claro! Uma porque ela demonstrava gostar demais do novo namorado, outra porque, mesmo tendo minhas fissuras em transar com ela, eu não sentia, assim, uma coisa de paixão, de não poder viver sem. E também por essa época eu já andava engatilhando as coisas com a menina que agora é minha noiva. Gostava muito dela, gosto muito dela.

Gosto, mas…

Há coisa de uns três meses passei uma semana na fazenda de um tio lá em Londrina, perto de Londrina, na verdade.

Minha sobrinha Jennifer passou uma semana lá…

Nossa priminha Ariane mora lá, é priminha de segundo ou terceiro grau, não sei direito, e filha do dono da fazenda, nossos tios. 

E quando falo priminha, é porque é priminha mesmo… um problema sério.

Problema por que, logo no primeiro dia, alguma coisa começou a acontecer entre eu e a prima Jennifer, lembranças dos outros tempos, saudades das moteladas…

Acabamos nos enroscando em meio a umas mangueiras, no fundo do pomar. Beijos, abraços, mãos alucinadas… só não transamos ali mesmo, em pé, porque a priminha Ariane apareceu.

Ela apareceu chamando meio de longe, deu tempo para eu fechar a calça, a Jennifer subir a calcinha e baixar o vestido, mas ela percebeu, viu na verdade.

– O que é que vocês estão fazendo?

Ela não perguntou, mas a carinha…

(…)

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