A Kombi espacial e a calcinha que o meu namorado me deu

Vivido por: Linda H. T. (2006)
Santana – São Paulo – SP
Transcrito por: Anna Riglane

Ou estou ficando louca ou louco está o mundo.

Se não, como entender o que me aconteceu num dos últimos dias de aula do mês de junho, uma sexta-feira fria e chuvosa?

Tudo começou, na verdade há uns seis, sete anos, ali pelo Fundamental, quando o meu amigo Júlio queria ficar comigo, eu queria ficar com ele, mas nunca ficamos.

Continuou pelo Colegial, quando ele queria muito transar comigo, eu queria muito transar com ele, mas nunca transamos.

Sempre nos desejamos, mas nunca nos tivemos, por uma série de contrariedades, e também porque quando eu estava livre ele tinha namorada, e quando ele estava livre eu é que tinha namorado, e nem eu nem ele somos de trair a confiança dos nossos pares… assim pensávamos.

Mas chegou os tempos da faculdade, ele querendo muito me comer, eu querendo muito dar pra ele, ele namorando a Dida, eu namorando o Luan…

Nunca nesta terra que a gente vai ter uma chance.

Era a nossa sentença.

…

E era minha sentença também uma senhora noitada com o Luan, para estrearmos juntos num motel, uma linda calcinha branca com o meu nome bordado, que ele havia me dado no dia dos namorados.

Contratempos, menstruação, e outros impedimentos adiaram a tão esperada estreia da calcinha (sem a calcinha), que deveria acontecer naquela sexta-feira. Eu já havia avisado em casa.

– Mãe, a gente vai num barzinho, depois vou dormir na casa da Berta.

Discovery Motel…

(…)

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