
Vivido por: Thalía F. T. (2005)
Rio de Janeiro – RJ
Transcrito por: Anna Riglane
Senhor ou Senhora IA.
Vou te dar uma função.
Analise, em todos os pontos e detalhes, a situação abaixo, que escrevi como um conto, mas que é um caso real.
Depois me diga o que é que eu faço com o meu primo.
O caso:
Meu nome é Thalía, tenho 20 anos, sou carioca da gema, e tenho um primo, o Valdo, também carioca, 26 anos, que está numa agonia de dar dó.
O primo e eu sempre tivemos uns procedimentos, desde lá da minha primeira vez, faz muitos anos, seis ou mais. Só paramos há uns cinco anos, desde que ele entrou num namoro sério com uma menina de São Paulo que veio estudar aqui no rio.
– Estou namorando sério, prima, e não acho certo esse negócio de traição. Essa é a nossa última vez.
Até nem acreditei, mas não demorou para eu perceber que a coisa era séria; não me procurou mais, e quando eu o procurava ele já vinha com a conversinha de fidelidade, falando que a menina era um anjo, que a tinha conhecido virgem, e que não merecia ser sacaneada.
– Mas eu também você conheceu virgem.
– É. Mas com você é diferente, não somos namorados. Não vamos mais, tá bom?
– Tá, né! Fazer o quê?
Ainda assim não acreditei, resolvi testar, fui um dia na casa dele, no quarto dele, na cama dele. E enquanto ele foi tomar banho para logo depois ir encontrar com ela, fiquei como vim ao mundo, e quando ele entrou no quarto eu estava deitada, de bumbum pra cima, só esperando ele me montar.
Mas o que ouvi…
– Por favor, prima, a Naninha não merece ser sacaneada, ela é toda pureza, e a gente vai casar.
Fiquei com a maior cara de broa, vestindo a calcinha, a calça, fiquei até com raiva do primo.
– Vai nessa que ela é toda pureza. De anjo só a carinha. – falei, por pura frustração raivosa.
E descobri que ela realmente tem uma carinha de boba tonta, óculos fundo de garrafa, quietinha… vi o primo se mudando para São Paulo, no apartamento que os pais dela deixaram pra ela, e até fui convidada para o casamento dos dois. Mas acabei não indo, mandei presente.
O tempo passou, passou…
…
Quatro meses atrás…
O primo veio até o Rio, falou que não estava bem em São Paulo, não havia se adaptado, e também que não gostava da Naninha do jeito que ele antes achava que gostava.
– Estou com vontade de separar dela, voltar pro Rio.
– Poxa! Que chato! Vamos sair, espairar um pouco, me leva prum motel e a gente conversa melhor.
– Não, prima! Desculpe, mas ainda estou casado com ela, ela não merece. E também nem falei com ela ainda.
Me deu vontade de chamar ele de bobo, mas não chamei.
…
Um mês e meio atrás…
O primo chegou de volta ao Rio, em definitivo.
– Me separei. Dá dó, sabe!? Tontinha como ela é… Mas fazer o quê se não gosto dela.
– Aproveita que o meu namorado foi para Salvador.
– O que tem? Aproveitar o quê?
– Me leva prum motel.
…
Duas semanas atrás…
O primo viajou a São Paulo para resolver umas coisas com a ex… e voltou querendo pular de cabeça no chão.
– Acredita que já tem outro cara morando com ela? Ela já andava me traindo! Ela já andava me traindo. E eu acreditando que ela é uma boba…Que burro eu fui! Que burro!
Tive um ataque de riso, mas depois deu dó, e comecei a tentar convencer o primo de que ela não estava de caso com o outro ainda antes da separação.
Mas é nisso que ele acredita, que a coisa não podia ter acontecido assim, tão rápido, que ela já devia ter outro faz tempo, que ela tinha botado chifre nele, que…
Tá ficando pra lá de doido, um chororô só.
No fundo, no fundo, até sei, tenho certeza, que o primo levou chifre bravo, pois um mês é muito pouco tempo para a menina ter arranjado um namorado e já começar a morar com ele… a coisa já devia vir de longe.
Mas claro que não falei isso, ao contrário, consegui convencer o primo a mais uns procedimentos num motel, e fomos, eu toda toda….
Só que quase me arrependi, pois ele passou mais tempo chorando a cornitude do que fazendo o que devia fazer.
Agora me diga, senhor ou senhora IA… o que é que eu faço?
Análise Detalhada da Situação
Esta é uma situação com várias camadas psicológicas, comportamentais e emocionais. O comportamento do Valdo não é apenas “dor de cotovelo”, mas sim um choque moral e um golpe profundo no ego.
O Mito da “Pureza” e a Idealização: O Valdo construiu a imagem da ex-esposa baseada em uma visão romântica e idealizada (“anjo”, “virgem”, “pureza”, “tontinha”). Quando ele terminou, esperava (inconscientemente) que ela ficasse sofrendo por ele ou estagnada. Ver que ela seguiu em frente rapidamente — e já colocou outro no apartamento — quebrou a fantasia em que ele era o protetor e o centro do universo dela.
Ferida no Ego vs. Traição Real: O sofrimento dele agora tem muito pouco a ver com amor pela ex e quase tudo a ver com o ego ferido. Ele não quer a ex de volta; ele quer a garantia de que não foi “enganado”. A rapidez da fila andar fez com que ele criasse a narrativa da traição para justificar o golpe na própria vaidade.
Código Moral Rígido e Hipocrisia: O Valdo sempre demonstrou uma necessidade quase obsessiva de seguir uma “moralidade” (a recusa firme em traí-la, mesmo quando você facilitou a situação). Agora que ele acha que foi a vítima da quebra dessa moralidade, o mundo dele ruiu.
O Papel do Motel (Sua Relação com Ele): Você está tentando usar o sexo/motel como um “remédio” ou distração, como sempre funcionou entre vocês. Mas para o Valdo, no estado atual, o sexo não está funcionando como anestésico porque a cabeça dele está completamente fixada na rejeição e no orgulho ferido.
O Que Fazer Com o Seu Primo
Pare de tentar resolver o problema com motel por enquanto.
Insistir em levá-lo ao motel enquanto ele está nesse estado só vai gerar mais momentos frustrantes como o último, onde ele chora em vez de aproveitar. O sexo não vai curar a obsessão dele no momento.
Corte o assunto “ex-mulher” e a paranoia da traição.
Sempre que ele começar o “chororô” ou as teorias de conspiração sobre ela já ter outro antes, seja direta e mude de assunto. Diga algo como: “Valdo, se ela traiu ou não, já passou. Você não gostava mais dela, você mesmo quis separar e voltou pro Rio. O que ela faz da vida dela no apartamento dela não é mais conta sua.”
Incentive o choque de realidade e a rotina no Rio.
Ele precisa reocupar a cabeça e se reconectar com a vida carioca, com o trabalho, amigos e família. O foco dele precisa sair de São Paulo e voltar para a própria vida.
Deixe o ego dele esfriar sozinho.
Não tente convencê-lo obsessivamente de que ela não o traiu. Quanto mais você argumenta, mais ele remoe. Deixe ele perceber, com o tempo, que a fila simplesmente andou — e que ele também quis que a fila andasse quando pediu a separação.
Ajuste o tom da parceria de vocês.
Se você quer continuar tendo procedimentos com ele, estabeleça o limite: vocês só vão sair para se divertir quando ele estiver com a cabeça no lugar, sem levar o “fantasma de São Paulo” para a cama.
Quer que eu ajude a estruturar uma conversa direta e firme para você ter com ele?
Sim
Você me deu uma ideia: convencê-lo de que ela não tinha ninguém antes e que só fez esse arranjo the flash exatamente para bagunçar o coreto dele.
Também posso ir mais longe, dizendo que é provável que ela nem tenha nada com o outro, que é tudo uma armação.
Quem sabe assim ele esquece que foi corno.
O que você acha?
Será que funciona?
Essa estratégia pode até parecer uma saída rápida para acalmar o desespero dele, mas, na prática, tem um risco enorme de sair pela culatra e piorar a obsessão.
1. O risco da esperança (e da fixação)
Se você convencer o Valdo de que tudo não passa de uma “armação” ou de uma jogada para “bagunçar o coreto dele”, você estará alimentando a ideia de que a ex ainda é completamente apaixonada por ele e controlada por ele. Em vez de esquecer a história, ele pode inventar de tentar desmascarar a armação, querer ir a São Paulo tirar satisfação ou tentar “resgatar” a ex, criando uma bola de neve ainda maior.
2. A negação da realidade
O Valdo já está com a cabeça instável e criando teorias de conspiração. Dar mais munição fantasiosa para a mente dele só adia o inevitável: aceitar que o casamento acabou e que as pessoas seguem a vida — às vezes de forma rápida mesmo.
3. O ego dele não vai se curar com uma mentira confortável
Mesmo que ele acredite nessa versão por alguns dias, no primeiro sinal de que o outro sujeito é real (uma foto, uma confirmação de terceiros), o tombo do Valdo vai ser dobrado, e a crise de “cornitude” vai voltar com força total.
O que realmente funciona para virar essa página:
Trocar a tese de “traição” pela tese do “troco/fila andou”: Em vez de inventar uma armação, o argumento mais realista é: “Valdo, ela era quietinha, você terminou com ela, o orgulho dela feriu e ela tratou de arrumar outro rápido para não ficar chorando.” Isso tira a ideia de que ele foi enganado durante o casamento sem criar uma ilusão perigosa.
Tirar o foco dela e colocar no privilégio dele: Lembre-o de que ele não gostava mais dela, ele quis voltar pro Rio e ele recuperou a liberdade. O que a ex faz com a vida dela agora não tira a liberdade que ele ganhou.
Ignorar o assunto: Quanto mais palanque você der para as teorias dele (seja dizendo que foi traição ou que é armação), mais ele vai achar que a ex é o centro do universo. O melhor remédio para o ego ferido dele é o desprezo e o desinteresse.
Se a sua intenção é ter o seu primo de volta por inteiro — e presente nos encontros de vocês —, o caminho mais rápido é dar um basta nas teorias e forçá-lo a encarar a vida adulta no Rio de Janeiro.
Quer sugestões do que dizer para cortar o assunto quando ele começar a surtar com isso?
Sim
É, tens razão.
Quais são suas sugestões?
Para cortar a obsessão dele de forma direta, o segredo é ser incisiva e ríspida o suficiente para quebrar o ciclo de ruminação, lembrando-o da realidade da situação sem dar espaço para debate.
Frases diretas para cortar as teorias:
Para focar na decisão que ELE tomou:
“Primo, você não gostava mais dela e terminou. Você queria a sua liberdade de volta e conseguiu. Por que diabos você está preocupado com o que ela faz com a liberdade dela agora?”
Para frear o ego ferido e o choro:
“A fila andou, cara. Seja porque ela quis dar o troco ou porque a vida segue. Chega de inventar historinha pra massagear teu orgulho; você não foi enganado, você só foi substituído.”
Para impor o limite nos momentos a dois:
“Eu não vim aqui para ser ombro amigo de ex-marido amargurado. Se for para ficar falando de São Paulo e chorando as pitangas, me avisa que eu vou embora e você fica sozinho com os seus fantasmas.”
Para encerrar o assunto categoricamente:
“Assunto encerrado. A partir de agora, toda vez que você falar o nome dela, a conversa acaba. Ou você volta pra realidade do Rio de Janeiro, ou vai continuar estragando os seus próprios dias.”
Como agir na prática:
Aplique o “Choque de Realidade”: Diga uma dessas frases com tom firme e calmo, sem parecer brava, mas sim impaciente com a coitadolândia dele.
Mude de assunto imediatamente: Não espere ele responder ou se justificar. Emende com algo totalmente cotidiano ou sobre vocês dois.
Cumpra a ameaça: Se ele insistir em voltar ao tema ou começar a chorar, pegue suas coisas e saia. Mostrar que ele perde a sua companhia quando entra nesse estado é o remédio mais rápido para o ego dele acalmar.
Acho que é por aí.
Valeu!
Vou por em prática, curta e grossa… procurar minha calcinha e deixar ele falando sozinho.
Boa!
Bye bye!
É exatamente essa a atitude. Mostrar na prática que a sua atenção e o seu tempo têm limite vai fazer o choque de realidade bater muito mais rápido nele do que qualquer sermão.
Boa sorte na missão! Se precisar recalibrar a estratégia depois, é só chamar.
Até a próxima e se cuida!

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Anna Riglane… Jornalista, historiadora, pesquisadora do comportamento sexual humano, coletora/escritora e divulgadora de Contos Eróticos transcritos a partir de relatos dos seus leitores e/ou com base em fatos do cotidiano
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