Lembranças de uma senhora casada

Smiling couple embracing in a retro motel room

Fui naquele reencontro de velhos amigos muito contra vontade. Para falar a verdade, só fui mesmo porque minha mulher ficou insistindo durante toda a semana e chegou até mesmo a dizer que eu já não gostava mais de sair com ela.

– Não é nada disso. – eu dizia, e não estava mentindo, pois ainda gosto demais dela. A questão é que eu andava mesmo meio parado, querendo mais sossego do que outra coisa.

Mas acabamos indo, nós dois e as duas crianças. Era um churrasco na casa de um casal cujo homem era da nossa turminha, nos tempos de adolescência. Ele é que tinha organizado o reencontro.

Logo que chegamos, notamos que além da criançada toda, havia pelo menos uns oito casais na casa ou pelo quintal. Começamos a reconhecer e a cumprimentar uns e outros, mas não demorou para que minha atenção fosse desviada para alguém, uma mulher, que estava sentada num dos sofás; Era Viviane.

Havíamos sido os primeiros namorados mais sérios um do outro e logo que bati os olhos e recebi de volta aquele olhar vivo acompanhado de um sorriso enigmático, velhas e boas recordações ressurgiram instantaneamente em minha cabeça. Mas não apenas na minha cabeça. Era visível pelo semblante de Viviane naquele momento, que ela também se acendera pelas lembranças. Senti isso quando nossas mãos se juntaram e se apertaram, e mais ainda quando nos abraçamos.

Apresentou-me o marido, mas já conhecia minha esposa, pois eram da mesma turma, embora nunca tivessem sido amigas muito chegadas.

Mas havia outras pessoas para rever, para cumprimentar, havia a dona da casa servindo bebida, havia carne para comer. Eu girava pela casa e pelo quintal, mas meus pensamentos não saíam de um único lugar; o lugar onde estava Viviane. Por várias vezes nos cruzamos e sei que em cem por cento das vezes foi porque nos procuramos.

Num dado momento, quando a encontrei sentada novamente, sorrindo daquele jeito que só ela sabe sorrir, não pude deixar de lançar um olhar prolongado sobre um dos seus seios, um tanto descoberto pelo vestido caído. Viviane percebeu o olhar e tanto nela quanto em mim, as antigas lembranças ressurgiram como um furacão devastador, contra o qual nada pode ser feito.

Namoramos por quase dois, sempre naquele namoro inocente como era exigido naquela época. Ainda mais que éramos então apenas dois adolescentes. Porém, mesmo naquela inocência, tínhamos uma brincadeira própria: eu vivia pedindo par vê-la nua e ela vivia negando, o que era bastante natural. Mas, para me contentar, a cada dia ela inventava de mostrar uma parte do seu corpo. Um dia era a metade de um seio, noutro dia a metade dos dois, um mês depois ela mostrava o biquinho de um deles, mais um mês e os dois seios completos. Seis meses para ver sua calcinha, mais dois para ela baixar a calcinha até o meio das pernas, mas de costa para mim…

E sempre corria, trancando-se no quarto ou no banheiro, quando eu, devidamente excitado pela visão, ia para cima dela.

Viviane estava revendo essas cenas com a mesma intensidade que eu. Ela havia percebido o longo pouso dos meus olhos sobre o seu seio quase descoberto. Ajeitou o vestido, sorriu. Fiz cara de triste, mostrando que queria ver mais. As pessoas chegavam para oferecer coisas ou apenas para conversar e interrompiam aquele nosso idílio.

Fui procurando um jeito de me afastar de tudo e de todos, desejando que Viviane fizesse o mesmo. Ela fez. Num dado momento, isolei-me na varanda da casa e fiquei observando o pessoal. De repente, Viviane surgiu também na varanda, mas ao longe, pois não poderia, obviamente, chegar até onde eu estava e ali ficar, sozinha comigo, sem despertar a atenção. Mas foi ao longe que ela me sorriu do jeito que só ela sabe sorrir. Fiz aquela cara de triste que ela bem conhecia e então, repentinamente, e por alguns segundos apenas, ela soltou o lacinho do vestido e puxou uma parte do mesmo, descobrindo o biquinho de um dos seios.

Quase voei para cima dela. Mas ela logo arrumou o vestido e voltou para o meio do pessoal, olhando para trás, como e me convidar para que a seguisse.

– Quero ver mais. – falei, tão logo me vi com ela no meio dos outros, porém isolados a uma distância suficiente para ninguém nos ouvir.

– Vou te mostrar. – ela falou. E logo se afastou.

Mas o tempo foi passando, o dia foi passando e Viviane parecia cada vez mais distante. Não ficávamos mais isolados e eu não conseguia entender se ela estava me evitando ou se era porque não surgiam novas chances. Mas porque ela havia dito que iria me mostrar? Será que estava sugerindo algum encontro noutro dia, em outro lugar?

Só lá pelo fim da tarde, quando a maioria do pessoal já dormia num canto ou noutro e outros já estavam visivelmente derrubados pela bebida, é que vi Viviane caminhando para a lavanderia da casa, com aquele seu ar de “venha comigo”.

Ficamos então numa posição tal que do lado de fora, qualquer um podia nos ver da cintura para cima. E como mantínhamos uma boa distância um do outro, tudo o que viam era apenas uma conversa inocente entre dois velhos amigos, ou antigos namorados, mas que não estavam fazendo nada demais.

Mas será que não estávamos?

– Saudades daqueles tempos. – falei.

– Eu também. – ela disse. – Mas já passou.

– Mostra!

Ela ainda se fez de desentendida, como a não saber do que eu estava falando, mas depois, num gesto rápido e sempre de olho no pessoal lá fora, abriu o decote e baixou o vestido até descobrir os dois seios, voltando a cobri-los logo em seguida. Fez gesto de que alguém mais podia ver, de lá de fora.

– Quero ver uma coisa que nunca vi. – falei.

– Aqui não dá. – ela disse, mas depois, lenta e desconfiadamente, meio sentada sobre a máquina de lavar, foi erguendo o vestido.

– Tira a calcinha. Mostra mais. Os peitos também… – eu pedia, alucinado pelas visões que ela me proporcionava.

A todos os meus pedidos ela ia atendendo, sempre de forma rápida, sempre olhando lá fora. Vi seus seios, vi sua xana roda e rodeada de pelos, fui para cima dela.

– Mas você está louco… Vão pegar a gente..

– Então vamos noutro lugar.

Ainda conversamos um pouco, pelo resto do dia, trocamos os telefones, combinamos horários para ligar. Voltei para casa radiante, fazendo todo esforço para reter de forma mais viva possível as imagens daquele dia: o olhar penetrante de Viviane, seu sorriso enigmático, seus seios, sua xana; Viviane abrindo o vestido, erguendo o vestido, tirando a calcinha, vestindo a calcinha… Visões rápidas que eu queria reter para sempre. Mas essas visões se misturavam com visões e imaginações de outros tempos e meu desejo mesmo era ter novas visões para juntar com as antigas e às daquele dia. Eu queria estar com Viviane novamente, só nós dois.

Mal pude esperar pelo dia combinado para ligar e ouvir a doce voz de Viviane, para combinarmos o nosso entro.

Mas recebi uma ducha fria.

– Não sei onde eu estava com a cabeça. Acho que bebi demais. Mas por favor não pense mal de mim, eu não estava com o meu juízo perfeito. É melhor a gente se esquecer.

– Chega! – falei. – Sabe o que estou lembrando? De uma outra vez que você…

– Até já sei. No dia em que… no meu quarto. Não é?

– Você sentada na cama.

– Você pedindo para eu me mostrar.

– E você se mostrando.

– Só o ombro.

– E a calcinha.

– Mentira. Nunca te mostrei a calcinha.

– Como não?

– Tá certo. Mostrei. Mas não foi naquele dia.

– Claro que foi. E era branca, lembro até hoje. Você sentada na cama, sorrindo para mim…

– Nervosa..

– O vestido puxado para cima…

– Com medo que minha mãe entrasse de repente. Mas eu não mostrei a calcinha.

– Claro que mostrou.

– Só se apareceu sem eu querer.

– Acredito.

– Mas faz tanto tempo isso, como é que você ainda se lembra?

– Então confessa que mostrou a calcinha naquele dia?

– Tá certo. Mostrei. Mas naquele dia foi só isso.

– Foi nada. Depois você ficou meio de lado.

– Mostrei a bunda. Credo! Que vergonha!

– Não. Naquele dia você não mostrou a bunda. Mostrou apenas as coxas.

– E quando foi então que…

– Foi num dia na sala. Você baixou calcinha…

– Quer horror! Mas posso te falar uma coisa? Tudo isso foi bom, mas já passou. Faz parte da nossa lembrança, mas deve continuar assim. Por isso, vamos parar por aqui. Podemos continuar amigos, mas só isso.

– Podemos nos ver pelo menos uma vez. – eu dizia, nos quase dois meses que se seguiram. – Podemos nos dar algumas horas, uma tarde bem gostosa. Eu queria tanto te ver nua, como você nunca me deixou ver, e então…

– Querer eu também quero. – ela falava. – Mas você precisa entender que somos casados, temos filhos. Não podemos estragar tudo só por conta de coisas do passado.

– Mas quem disse que vai estragar? Pelo contrário, vai ser uma lembrança a mais, uma coisa gostosa que a gente vai guardar.

– Estou casada há tanto tempo. Nunca pensei em trair a confiança do meu marido.

– Mas sempre tem uma primeira vez, não tem?

– Esse é o problema. E depois?

– O que tem depois?

– Você já pensou no que será depois que a gente… Não vai ser a mesma coisa.

– Claro que não! Mas vai ser uma coisa melhor.

– Aí é que está. Depois a gente não vai querer parar mais.

– Por que não? Nós já não paramos uma vez? Não terminamos e deixamos de nos ver?

– Mas agora é diferente.

– Não tem nada de diferente. A única razão para a gente não se dar uma tarde gostosa é você não querer. Mas se você não quer, tudo bem, sei respeitar sua posição…

– Eu quero, mas…

– Então vamos, nem que seja uma vez só. Apenas para fazer tudo o que a gente queria fazer naqueles tempos e não podia.

E naqueles quase dois meses, por vezes eu me sentia eufórico com a possibilidade de ter Viviane, e por vezes eu me sentia culpado por estar forçando-a a uma coisa que, muito embora ela também tivesse vontade de fazer, não parecia segura para tal.

Viviane queria, mas temia.

Finalmente, num telefonema em uma certa tarde…

– Vamos fazer o seguinte. – ela disse. – Uma vez só, tá bom? Mas depois a gente se esquece, apaga tudo e tudo deve voltar a ser como é agora ou,. melhor, deve voltar a ser como era antes da gente se reencontrar naquela festa.

– Eu tenho tantas lembranças, tanta saudade. – eu disse, não dando muita atenção para o que ela estava propondo sobre nos esquecermos depois.

– Eu também. – ela falou. – Mas vamos matar as vontades e a saudade e depois vamos esquecer tudo, tá bom?

Na semana seguinte, depois de mais alguns telefonemas e quase desistência por parte dela, marcamos no estacionamento de um supermercado. Ela deixou seu carro lá e saímos no meu, fomos a um motel.

– Nem acredito que estou aqui. – ela disse. – Tão logo entramos, nos abraçamos e nos beijamos. – Desejei tanto esse dia, temi tanto por esse dia. – ela completou, com sua voz doce, enquanto me lançava aquele olhar maravilhoso.

– Também desejei. – falei.

– Nossas lembranças são mais fortes do que nós. – ela disse.

– É mesmo. E por falar em lembranças. quero que você se mostre para mima, como nunca se mostrou antes.

– Fecha os olhos. – ela falou.

Fechei os olhos e percebi que ela se afastava, indo na direção da cama;

– Pode abrir.

Ela estava deitada na cama, só de calcinha e sutiã.

– Quero ver mais. Quero ver tudo.

– Fecha os olhos.

Quando abri, ela estava só de calcinha.

– Fecha os olhos. – disse, pela última vez.

Quando abri, ela estava nua, mas com a mão cobrindo a xana.

– Tira essa mão.

Ela foi tirando a mão devagar. Sua xana, a xana que tanto desejei em outros tempos, foi aparecendo todinha diante dos meus olhos. Fui subindo na cama, entre suas pernas, pernas que foram se abrindo…


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