
Luís Cláudio saiu de casa às 21:15 hs., como já era sua rotina, pilotou sua CG 125 até a fábrica onde trabalhava fazia 12 anos, mesmo tempo de casamento com a Taís, seu turno das 22 às 06 horas da manhã do dia seguinte.
Passava um pouco da meia noite quando ele comunicou ao chefe que não estava nada bem, alguma coisa que ele havia comido estava formando um verdadeiro bolo no estômago, não tinha concentração e nem forças para continuar operando a empilhadeira. O chefe bem entendeu ue havia risco dele causar um acidente, dispensou-o.
Cerca de quarenta minutos depois, 00:55 hs., ele estava chegando em casa, mas não entrou com a moto no quintal, que compartilhava três outras casas além da sua. Deixou a moto na calçada, abriu o portão com suavidade, fez o mesmo com a porta da cozinha, fechou-a, estendeu o braço até alcançar um objeto sobre o armário, caminhou até o quarto, passando pela sala, onde deviam estar dormindo as crianças, quando não iam dormir na casa da avó, na casinha mais ao fundo, chegou na porta do quarto.
Ficou ali parado por alguns segundos, respirou fundo, acendeu a luz.
O grito de desespero de Taís foi logo contido pelo projétil que entrou queimando em seu peito, sequer se levantou, só acordou para morrer.
Roberto, o amigo de infância de Luís Cláudio, teve menos sorte, conseguiu ainda se levantar ao lado da cama, conseguiu ver a morte anunciada nos olhos flamejantes do amigo, ainda estendeu a mão, tentando sabe-se lá o quê, e adivinhando que o rival queria olhar bem no fundo dos seus olhos, enquanto apontava a arma para o meio da sua testa.
Sabia que era o seu fim, a menos que a arma falhasse ou, então, que ele voasse sobre o outro.
Foram segundos que pareceram uma eternidade, até ele mover o primeiro passo na direção do amigo, da arma, da morte.
Caiu para trás, enquanto Luís Cláudio descarregava a arma.
- Eu sabia. – murmurou a mãe de Taís, lá na casa dos fundos, acordada pelos tiros.
- Pegou! – quase gritou, numa tranquilidade sórdida, Alfredo, o vizinho mais próximo, que assistia televisão até aquela hora.
- O Luís matou a Taís. – disse Ana Lúcia, depois de acordar o marido.
- Matou? Como você sabe?
- Não ouviu os tiros?
- Acho que aconteceu. – deduziu, Josué, o guarda noturno, parando sua ronda ao lado da moto de Luís Cláudio, depois de ouvir os tiros. – Também… estavam dando bandeira demais. – concluiu o seu pensamento.
(Em breve: A última transa de Taís e Roberto )

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Anna Riglane… Jornalista, historiadora, pesquisadora do comportamento sexual humano, coletora/escritora e divulgadora de Contos Eróticos transcritos a partir de relatos dos seus leitores e/ou com base em fatos do cotidiano
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