
O que acontece quando você está muito a fim de dar para o seu grande amigo, e amigo também do seu namorado, mas ele é tão seu grande amigo que tem por você o maior respeito, não dá nenhuma entrada, não fala nenhuma gracinha…?
O que você faz?
Sempre que eu tentava falar minha voz travava, meus olhos cegavam, não conseguia nada nada, até que um dia, sem dizer uma única palavra…

Talvez, antes de começar a descrever a minha situação vivida, eu devesse passar horas escrevendo sobre uma grande dúvida:
Como nasce um desejo, por que nasce um desejo?
Talvez a minha situação vivida possa até dar uma resposta, talez.
Mas eu acho que não.
Conheci o Anderson ainda nos tempos de Colégio e logo nos tornamos grandes e inseparáveis amigos.
Na época eu namorava um menino, era ainda virgem, e não tinha outras pretensões amorosas.
Ele, ao contrário, andava meio que “desesperado” para encontrar uma menina, pois nunca tinha namorado e, pelo que eu desconfiava, nem mesmo transado.
Apresentei a minha prima Jane, ele comeu ela*, e se tornou grato comigo para sempre.
Em off:
*Ele e mais a turma do fundão das classes em que ela estudou.
Nunca vi menina para dar tanto como ela.
Tem até um tio aqui da família que andou comendo.
Da minha prima Jane ele pulou para a Gabriela, depois para a Maria Valentina, para a… nunca vi menino para comer tanto.
E eu…
Foi ainda no Colégio, ali pelos meus quase 18 anos, que dei para o, quer dizer…
Foi ainda no Colégio, ali pelos meus quase 18 anos, que conheci o Maurício, me apaixonei por ele, ele entendeu o meu “olhar de peixe morto”, correspondeu aos meus sentimentos, tirou minha virgindade… e estamos juntos até hoje, quase dez anos depois.
Nunca traí ele, nunca, nunca… só quando fiz 27 anos.
E é aí que entra o inexplicável.
Nunca perdemos a amizade, o Anderson e eu.
Mesmo com mudanças de endereços, de escola, faculdade, trabalho e tudo o mais, sempre mantivemos contato, ele sempre me visitou, também estive na casa dele muitas vezes… e ele acabou se tornando amigo também do Maurício que, por sinal, gosta muito dele e confia nele o bastante para não sentir ciúmes.
Mas então…
Me formei e primeira grande coisa que me aconteceu foi que o Anderson me arranjou uma vaga na grande empresa onde ele trabalha.
Salário bom, horário super bom, lugar de fácil acesso, e uma sala que eu dividia com duas colegas, a Rita e a Talita.
Sempre brincamos que as duas davam uma dupla sertaneja, mas o que corria a boca miúda, é que as duas davam mesmo era para para o Anderson.
– A Rita pode até ser, mas a Talita é casada. – eu dizia para a Marina, a moça da limpeza que, “maldosamente” me fazia as fofocas.
Mas o caso é que além da Marina, outras línguas maldosas também me colocava em dia com os acontecimentos ali na firma… e tinha muitos outros acontecimentos.
E foi, com certeza, pensando na dupla Rita e Talita, e também nos outros acontecimentos…
Não. Não foi não.
Foi um dia descobrindo por puro acaso que a Marina, moça da limpeza, fofoqueira de plantão, evangélica, casada com um rapaz que tem uma oficina de funilaria e pintura, e de quem diz gostar muito e ser fiel, andava fazendo limpeza num hotelzinho que tem não muito longe da firma… ela e o Nildo, segurança do período noturno.
A primeira descoberta foi, realmente, por acaso, simplesmente vi os dois entrando naquele recinto. Mas depois, movida pela curiosidade, fui observando que ela sai às cinco e ele entra às sete, e que nessas quase duas horas…
Filha da mãe! Tão cheia de moral… Mas por quê?
Então…
E foi, com certeza, pensando na dupla Rita e Talita, nos outros acontecimentos que a Marina relatava, e também na concupiscência sexual* da própria Marina, que me bateu a(s) pergunta(s):
Por que essa mulherada não se contenta com um homem só?
Por que traem seus namorados, seus maridos?
Em off:
*Concupiscência sexual, sim, pois não foi só com o Nildo que a vi a Marina entrando e/ou saindo daquele hotelzinho.
Pobre funileiro, martelando inocente a lataria dos carros, e a Marina levando martelada de dois (que era do meu conhecimento) colegas de trabalho.

E por que eu me contento com o Maurício… e só com o Maurício?
De repente, o que para mim sempre havia sido motivo de paz e quietude, começou a se transformar numa inquietação crescente e sem tamanho.
Uma inquietação tão grande que:
E se eu transasse com outro homem?
Era o que eu me perguntava o dia inteiro, o tempo todo.
E se eu transasse com o Anderson?
– Você anda com tanto fogo ultimamente. Conheceu algum pasto novo é? – comentou e perguntou um dia o Maurício.
– E eu lá sou de frequentar pasto? – perguntei. – O que acontece é que estou cada dia mais apaixonada por você. – justifiquei a frequência maior com que eu o procurava para transar, e o fogo cada vez maior com o qual eu transava.
– Então… já que você está tão apaixonada, que tal me liberar o… – ele começou a pergunta, certo dia, aproveitando a sua situação.
– Não desiste mesmo, hem! Mas tá bom… come. Você merece.
– Eu mereço… por que eu mereço?
– Porque eu te amo, oras! Já não falei que te amo, te amo, te amo…?
Mas, em off, eu bem sabia que o que estava pegando mesmo era um grande sentimento de culpa.
Por que sentimento de culpa?

– Anderson… quero transar com você.
Porque foi isso que, certo dia, me peguei imaginando… entrar na sala dele e, simplesmente, falar.
Ou então, entrar na sala dele, parar na frente da mesa dele, ficar olhando pra ele, levantar a saia, mostrar as coxas, a calcinha…
Passei a ir trabalhar de saia (ou de vestido), coisa que até então eu raramente fazia, pois sempre gostei mais de calça comprida.
Sentimento de culpa…
Porque não tive coragem de falar que queria transar com ele, e menos ainda tive coragem de mostrar as coxas e a calcinha, mas…
… me tranquei no banheiro do escritório e me masturbei, masturbei… até gozar e gozar, sair de lá pálida, com as pernas bambas.
E me masturbei no dia seguinte, e num outro dia… sempre me imaginando com ele ali mesmo, no escritório, no grande sofá que tem na sala dele… sofá e tapete, depois do expediente, o prédio quase às escuras, a avenida lá embaixo cessando o movimento, e nós dois transando, transando.
O Maurício comentando, elogiando, desconfiando daquele me fogo todo.
Sentimento de culpa por que…
Pensando que já havia chegado dia de trocar as masturbações por uma transa real, me arrumei toda, depilei, me enchi de cremes, escolhi minha melhor lingerie, um vestido vermelho…
Tudo porque haveria um jantar com a diretoria, eu devia participar…
E o Anderson havia me prometido carona para depois do jantar.
Carona depois do jantar, algum vinho dando impulso, carona pelas ruas da noite, algum motel pelo caminho.
Me deixou na portaria do prédio passava um pouco da meia noite, nenhuma indireta, nenhuma gracinha, nenhum convite implícito, nenhuma palavra… e até passamos por dois motéis.
Ou ele não me queria, não me desejava ou então, o seu respeito por mim era muito grande.
E eu sentada no banco de passageiro… a cabeça cheia de desejo, o corpo cheio de desejo… mas apenas leves tentativas de mover “acidentalmente” o vestido, mostrar “acidentalmente” um pouco que fosse das minhas coxas… só ficava na vontade.
– Entra ali. – falei, quando avistei a placa do segundo motel pelo qual passamos.
Passamos, porque o “entra ali” ficou só na minha vontade, entalado na garganta, perdido no meu desejo, meus desejos.
Oportunidade perdida… se é que de fato houve uma oportunidade.
E então…
O Anderson e eu, eu e o Anderson naquele grande sofá da sua sala, a cidade escurecida, a avenida com o movimento das pessoas retornando para os seus lares… ele tirando minhas vestes, peça por peça, me deixando só de calcinha, me sentando no sofá, abrindo minhas pernas, entrando pelas minhas coxas…
Sua língua lambendo suavemente o tecido que eu tinha escolhido com tanto esmero… lambendo, insinuando penetrar pela bordas, meu quadril querendo sair do controle…
De repente… de repente ele soergue o corpo, junta minha calcinha com as duas mãos e puxa com delicadeza até tirar pelos meus pés.
Abre minha pernas, fica admirando meu sexo, meus pelos que eu tinha tão caprichosamente aparado… admira, aproxima a boca, a língua, volta a lamber, agora carne com carne, saliva com umidade, tesão com tesão.
Me masturbando, mais uma vez, no banheiro, numa segunda-feira de tempo chuvoso… me masturbando.
Teria sido tão simples.
Era só mostrar as coxas, a calcinha, no banco do carro.
Era só falar para entrarmos naquele motel.
Era só entrar na sala dele levantando a saia…
E foi o que eu fiz.

Era uma sexta-feira, o expediente já havia se encerrado, a dupla sertaneja já tinha ido para casa, a Marina com certeza estava com algum dos seus homens naquele hotelzinho (pobre funileiro), a cidade já se escurecia, o Anderson sempre ficava até mais tarde…
– Aqui ainda? – ele perguntou, ao me ver parada na porta da sua sala.
– O que foi? – voltou a perguntar, ao me ver estática, tremendo, um nervosismo só.
– Aconteceu alguma coisa?

Dei um toque no interruptor de luza, o ambiente escureceu.
Juntei a barra da saia, comecei a puxar para cima.

Juntei a alça da camiseta…
– Celinha…! – ele exclamou, levantando da cadeira e caminhando na minha direção. – Celinha! – repetiu, como se tivesse tentando entender o que eu estava fazendo.
– Não fale nada, não me pergunte nada, por favor… só me leva até aquele sofá.
(…)
Faltavam alguns minutos para a meia noite quando ele me deixou na portaria do prédio, mas agora era diferente… tudo diferente.
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Anna Riglane… Jornalista, historiadora, pesquisadora do comportamento sexual humano, coletora/escritora e divulgadora de Contos Eróticos transcritos a partir de relatos dos seus leitores e/ou com base em fatos do cotidiano
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