

De repente, algumas coisas começaram a me acontecer, mas só fui descobrir que eram coisas relacionadas e propositais quando a coisa maior já tinha acontecido.
Contando se dispensa maiores explicações e, ao mesmo tempo, fica tudo esclarecido.
Vamos lá!

PRIMEIRA COISA
Tenho 21 anos, estou concluindo meu curso de Administração e Marketing, no período noturno, e trabalhava durante o dia num certo emprego.
Certo dia eu tinha saído do trabalho e estava no ponto de ônibus quando um carro parou, buzinou, e o motorista acenou, me chamando para entrar.
– Estou indo para a faculdade. – falei, com a cabeça quase dentro de carro.
– Eu te levo, entra.
Entrei, pois era o Felipe, amigo de infância do meu namorado e, portanto, bem amigo meu também.
Beijinho no rosto, conversas triviais, obrigada pela carona, beijinho no rosto…

– Amanhã passo por lá novamente.
E passou a me dar carona todos os dias, alegando que era seu caminho e horário e que era um prazer ter a minha companhia.
Fiquei meio assim com esse prazer, pois que no final de semana em que nos reunimos os quatro, eu e o Adonis, meu namorado, o Felipe e a Luciana, namorada dele, o Felipe simplesmente não comentou nada sobre as caronas, e como eu também não tinha ainda falado para o Adonis, achei melhor ficar quieta.

SEGUNDA COISA
– Hoje bem que pede um chopinho, não? – me disse o Felipe, na segunda sexta-feira das nossas caronas.
– Chopinho!? – eu fiz, meio que desinteressada.
– Chopinho sim. Além desse calor miserável, estou comemorando minha promoção na empresa, virei gerente regional… Não quer comemorar comigo?
Comemorei com ele.
Ainda que a minha índole me reprimia e quase me fazia falar que ele devia comemorar era com a Luciana, ou então nós quatro juntos, acabei ficando com ele num barzinho até quase nove horas da noite, faltei na faculdade, e ele me trouxe em casa… tudo dentro dos padrões de uma amizade.
As caronas continuaram, todos os dias.
Eu sabia que ele conversava direto com o Adonis, e como o Adonis não me falava nada, deduzi que o Felipe não contava pra ele.
Então, eu é que não ia contar. Sabia que tinha alguma coisa errada no ato de eu não contar, mas não contava.
TERCEIRA COISA
Outra vez barzinho e, depois, um longo passeio pelas ruas da cidade, dirigindo devagar, apreciando a noite.
– Está comemorando o quê, hoje, Felipe?
– Estar com você.
– Como é que é?
– É bom estar com você… Você é uma pessoa agradável, boa companhia…
– Sei, mas…
– Fica tranquila, não estou te passando cantada não.
– Não pensei nisso. Só que acho estranho.
– Não tem nada de estranho, mas se te incomoda, vou te levar pra casa.
Já passava das dez da noite quando ele me deixou em casa.

QUARTA COISA
Estávamos os quatro aqui em casa jogando um carteado e comendo pipoca que a minha mãe havia preparado, mil conversas, menos sobre as caronas, quando o Felipe começou a falar da promoção que havia recebido, do pessoal que ele estava gerenciando, da dona Elza que ia tirar licença maternidade e depois deixar o emprego e, então, como que apenas jogando no ar, perguntou se, por acaso, eu não tinha interesse em ocupar a vaga dela.
Tudo teria ficado nessas falas vagas, se…
QUINTA COISA
– Você não quer mesmo ir trabalhar comigo? – ele me perguntou, logo no dia seguinte, me dando carona.
– É séria essa oferta?
Um mês depois, ainda pegando carona com ele rumo à faculdade, e agora mais do que nunca, eu estava trabalhando na mesma firma que ele, numa sala ao lado da sala dele, assessorando as relações dele com clientes de diversas partes do Brasil.
Fiquei tão feliz com o novo emprego, o melhor salário, que nem me dei conta de que não havia nenhuma dona Elza para me ensinar o serviço antes de sair de licença.
Vai ver que já tinha saído antes de eu começar.
O Adonis ficou sabendo da minha mudança de emprego, claro, isso não tinha como nem porque esconder dele… mas não ficou sabendo da minha estreita relação de trabalho com o Felipe, contatos diretos o tempo todo, e menos ainda da sexta coisa.

SEXTA COISA
Exatamente duas semanas trabalhando juntos, e o Felipe anuncia que tinha um cliente a visitar numa cidade próxima e perguntou se eu queria ir junto.
– Preciso ir?
– Não… mas se puder me dar essa assistência vou ficar mais à vontade com o cliente, mais seguro.
O Adonis nunca ficou sabendo da pequena viagem de carro que fiz com o Felipe até o cliente em Atibaia, não ficou sabendo do restaurante em que paramos para almoçar, e tampouco da rápida passagem pela chácara dos pais do Felipe, já em Bragança Paulista.
– Só vou aproveitar para ver algo com o caseiro, que o meu pai pediu, mas na próxima vez a gente vem com mais tempo e te mostro a cachoeira que tem lá nos fundos… Coisa mais linda!
Próxima vez, mais tempo, cachoeira…?
Até que não eram coisas tão fora do normal, não fosse estarmos em horário de serviço e, também, dele não comentar nada disso com o Adonis.
E eu é que não ia comentar, muito embora alguma coisa me dizia que seria bom eu falar.

SÉTIMA COISA
Outra pequena viagem a trabalho, um bate e volta até o Rio de Janeiro, que eu nem conhecia e cujos principais lugares ele fez questão de mostrar, num carro alugado, até pararmos num restaurante com linda vista para a praia.
– Toma vinho?
No avião, de volta, sonolenta e um tanto excitada com as coisas do dia, com o passeio… Sim, um passeio, pois com o cliente mesmo não estivemos por mais de quinze minutos.
Falo pro Adonis?
Melhor esperar o Felipe falar.
E como ele não falou, também eu não falei.

OITAVA COISA
Na verdade, oitavas coisas, mais pequenas viagens por cidades próximas, restaurantes, outro voo até o Rio, restaurante, Atibaia, Bragança…
– Vamos lá, ver a cachoeira?
Me fez caminhar em meio a um pequeno matagal, chegar na beira de um riacho, me embrenhar mais ainda, até, finalmente, chegar na cachoeira.
– Não é linda?
– Mais do que linda.
– Brinquei muito aqui na minha infância, e até hoje eu brinco de vez em quando… Vira o rosto.
– Virar o rosto… pra quê?
– Porque vou ficar pelado e pular na água.
– Felipe!
– Estou só brincando. Mas bem que dá vontade… não dá?
NONA COISA
Ele não tirou a roupa, nem eu tirei a roupa, claro, mas numa outra pequena viagem, “a serviço”, numa segunda visita à cachoeira, não apenas entramos na água, ele molhando as calças até os joelhos, como também eu, para não molhar a saia, levantei o tecido até descobrir quase que por completo as minhas coxas… em algum momento deve até ter aparecido a calcinha.
De volta à casa, ele trocou a calça que tinha guardada lá e, já pela saída, me mostrou um biquíni que estava pendurado no varal.
– É da Luciana, deixou aqui para secar, mas deve servir em você.
– Servir em mim pra quê?
– Pre gente brincar lá na cachoeira na próxima vez.
Proxima vez?
A coisa morreu ali mesmo, logo estávamos no carro, ele não falou mais nada, também não falei, mas algo dentro de mim dizia que eu devia falar: falar de brincarmos os quatro na cachoeira, eu e o Adonis, ele e a Luciana, cada uma com seu próprio biquíni.
Mas não falei.

DÉCIMA COISA… A COISA
Eu mal podia acreditar ou, ne verdade, eu mal pensava, pois minha cabeça era um turbilhão de micro pensamentos que me faziam ver tudo, enxergar tudo, e não conseguir dar um passo em contrário… eu era um robozinho, e estava programado.
Foi como um robozinho programado que entrei naquele quarto e de lá saí usando o biquíni da Luciana.
Mas havia o caseiro, a mulher dele, as crianças… moram na outra casa. Por isso peguei também uma camisa, que me serviu de saída de banho, e assim vestida, ou desvestida, acompanhei o Felipe rumo à cachoeira.
A camisa era dele, e me pediu para tirar.
– Tira! – ele disse, assim que nos ocultamos, entramos na mata.
– Tirar o quê?
– Tira minha camisa.
– Oxi! Não posso usar sua camisa, não?
– Claro que pode! Mas fica melhor sem ela.
– Felipe! – repreendi.

Repreendi, mas tirei a camisa.
Repreendi, mas, algo me dizia que já não havia mais volta.
O que eu não esperava acontecer, o que eu sabia que ia acabar acontecendo, começou a acontecer.
De mãos dadas, quase nus no meio da mata, fomos andando pelo leito do riacho até chegarmos o poço da cachoeira.
E não foi preciso nenhum mergulho, nada… já com a água até os joelhos, bastou uma troca de olhar…
Um primeiro beijo.

– Felipe… a gente não… eu…
Um segundo beijo ou, na verdade, a continuação do primeiro.
– Felipe!
– Celinha!
Era a primeira vez que eu me via em pleno contato com a natureza, na água, na mata… apenas dois pedaços de tecido me separavam do mundo.
Era a primeira vez que…
Mais alguns beijos e mãos ávidas pelos nossos corpos, as minhas nas suas costas, as dele nos meus seios, nas minhas coxas, minha…
– Tira! Tira esse biquíni, tira!
– Não.
E eu já não sabia se esse “não” era realmente um “não”, um pudor, uma resistência… ou se era apenas um charminho, uma valorização do que estava por vir… do que sabia que estava por vir.
– Vem! – ele disse.

E obedeci, simplesmente, obedeci, subindo com ele um barranco e me guiando pela sua mão até um local de mata mais fechada e muitas pedras, grandes pedras.
E foi recostados numa das grandes pedras que, quase que de repente, já não havia mais biquíni algum me separando da natureza.
– Feliiiipe!
Já não era mais “Felipe” de repreensão, de negativa.
Era… eram, “Felipes” de ardor, paixão, tesão.
Tesão cada vez mais crescente, conforme suas mãos trabalhavam em meu sexo… sua língua trabalhava em meu sexo.
Em pé no meio daquela mata, recostada na grande pedra, nua, inteiramente nua, o Felipe agachado entre as minhas coxas, sua língua, seus lábios, seus dentes…
……..
– Deixa eu, deixa eu! – comecei a pedir, já tresloucada de tesão, puro tesão.
Ele me atendeu e, então, agachada de cócoras, sentindo como que um vento fresco acariciando minha xana, agarrei com uma mão a sua bunda, com a outra o seu pau, e chupei… chupei como se não houvesse mais nenhum outro pau no mundo.
Aquele pau era meu, só meu… e só me levantei quando as pernas deram sinais de incômodo.
– Dá ela pra mim? – ele pedia, me beijando loucamente, agarrando, quase arrancando, minha xana… e sabendo que eu ia dar.
– Dou, dou, dou…
Foi com ele sentado numa pedra menor, que subi por cima, de cavalinho… pau e xana se entenderam no automático, foi eu encavalar, de frente pra ele, ea lança encontrou o alvo, o alvo encontrou a lança… foi preciso só uma mexidinha para se encontrarem de vez, afundar de vez, engolir de vez.
– Felipe!
– Celinha!
Tesão tão louco, rebolar tão frenético naquele pau, que gozei antes mesmo dele gozar.
Gozei, mas não parei… queria mais, mais…
Senti ele gozar, gozei de novo…
Sai de cima para chupar.
……..
Terminamos, a última, com ele deitado na terra bruta, meus joelhos na terra bruta, cavalgando, rebolando… desmaiando.
……..
Juntamos nossas vestes, voltamos ao riacho para nos banhar, vestimos nossas vestes, vesti minha roupa no quarto, adormeci no carro no caminho de volta.
Eu não conseguia acreditar que tinha acontecido.
DÉCIMA SEGUNDA COISA
Minha primeira vez com o Felipe foi numa sexta-feira, e no dia seguinte, sábado, estávamos os quatro reunidos num barzinho até altas horas.
Não consigo descrever quem era eu, como era eu, ali, olhando para o Adonis, olhando para a Luciana… não consigo descrever.
Não vai acontecer mais… foi o único pensamento, a única e forte decisão que salvei daquela noite… e que mantive por mais de quinze dias.
DÉCIMA TERCEIRA COISA
Por quase quinze dias andei meio que evitando o Felipe, mesmo estando praticamente ao lado dele o tempo todo.
E ele parecia entender a minha situação, talvez até estivesse na mesma situação que eu, me repreendendo por ter deixado a coisa ir acontecendo… se eu tivesse barrado tudo logo no começo…
Não fossem as lembranças fantásticas lá do mato… não fossem as lembranças…
Achei que devia tomar uma atitude mais séria, falar com o Felipe, explicar, me explicar, pedir minha demissão.
Acabei transando com ele ali mesmo na firma, na sala dele, meio deitada sobre a escrivaninha dele.

Foi rapidinha, foi arriscada, sequer tirei a calcinha… mas foi a sentença de que eu estava perdida.
Não perdida de terrivelmente apaixonada e disposta a terminar com o Adonis para ficar com o Felipe… amo demais o Adonis, sempre amei.
Perdida de querer manter as coisas exatamente como estavam.
DÉCIMA QUARTA COISA

Tennessee Motel… uma tarde inteira, maravilhosa tarde inteira, pois foi alí que entramos para almoçar, e foi dali que só saímos já mesmo pela hora de voltamos para a firma, no finalzinho do expediente.
E foi ali que, já quase mortos…
– Celinha… eu queria te pedir uma coisa, mas estou sem jeito.
– Você sem jeito! Até parece. O que é?
– Bom… você faz?
– Faço o quê?
– Você sabe… a gente já fez aqui (apontou a minha boca), já fez aqui (espalmou a mão sobre a minha xana)…
– E…? – perguntei, já adivinhando.
– Falta aqui. – falou, me puxando até me virar de bunda para cima.
Não falei nada, da mesma forma que também nunca falei para o Adonis, mas enquanto ele se deliciava comendo o meu traseiro, eu desmanchava os lençois, e me desmanchava toda, mais ainda, lembrando do meu primo Álvaro… faz tempo, muito tempo, eu ainda era virgem, tínhamos tardes inteiras a sós na casa dele…
– Tá ruim pra você?
– Não. Tá gostoso. Come gostoso, come!

DÉCIMA QUINTA COISA
Come gostoso, come!
Mas, exatamente três meses depois que as coisas haviam começado…

Eu estava para entrar na sala dele, mas ouvi ele numa conversa meio estranha com o Adonis, e pais, oculta, para ouvir.
– É Adonis, eu sei, hoje faz três meses, acabou o prazo, você está de parabéns.
A conversa continuou, percebi claramente que estavam falando de mim, entrei na sala ainda a tempo de pegar as últimas palavras.
– Pode ir me explicando tudo, e não quero enrolação. – falei, com ares de profundo rancor.
– Não tem enrolação nenhuma, é que fiz uma aposta com ele.
– E que aposta foi essa?
– Bom… ele queria me provar que você é a namorada mais fiel do mundo e…
– Como é que é? – perguntei, já começando a me dar nos nervos. – Que aposta foi essa? Fala!
– Bom… a gente apostou, eu apostei…
– Fala! – quase gritei.
– Apostei que ia te comer.
– Não acredito. Então virei objeto de aposta, jogo…! Você arruina a minha vida… eu…
– Calma! Não estou arruinando nada.
– Como não? O que você acha que o Adonis vai fazer quando…
– Mas eu perdi a aposta.
– Perdeu como, se a gente, se você…?
– Perdi porque apostei que ia te comer, só que não comi… te passei a maior cantada, mas você brigou comigo, quase pediu as contas do serviço.
– Eu fiz isso?
– Só fez… e me fez perder a aposta. Tentei te passar a lábia, mas não teve jeito.
– É? Mas você vai falar pra ele das viagens, restaurantes, cahoeira…?
– Não. Ele pode não gostar, nem vai ter mais viagens, restaurantes… isso só ffazia parte do meu plano.
– Plano! – exclamei, caindo na cadeira, sem saber o que dizer.
– Sim… um plano para tornar as coisas possíveis.
– Tornar as coisas possíveis… – voltei a exclamar.
– Sim, mas agora as coisas já são possíveis, não é? – ele disse, e perguntou, chegando em pé junto à minha cadeira.
– Se as coisas já são possíveis… Não sei… vou consultar os meus planos.
E saí da sala dele.
Eu precisava de um tempo, um bom tempo, talvez até um porre de cerveja, para digerir tudo aquilo.
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