Realizando o triste desejo do meu avô

Vivido por: Maria J. C. (1995)
Franca – SP
Transcrito por: Anna Riglane

Meu avô passou boa parte da sua existência nutrindo um desejo pecaminoso que nunca teve coragem de revelar… deve ter sido muito triste pra ele.

O que aqui vou contar é, talvez, uma fantasia, talvez uma loucura, talvez coisa que só uma cabeça meio doente pode pensar.

Mas nunca me vi com a cabeça doente, nunca fui de ficar fantasiando, e o que fiz, fiz mesmo, uma loucura.

Mas uma loucura que tem explicação, e só contando desde o começou para se entender… para que eu mesma possa entender, me entender.

Hoje tenho 31 anos de idade, estou casada, muito bem casada, temos um casal de filhos, e faz um ano e meio que o meu avô faleceu.

E o meu avô foi, é, a peça chave de tudo, desde que foi aberto o testamento e ele deixou inteiramente para mim uma velha e valiosa casa, cercada por um grande terreno, onde vivi toda a minha infância e adolescência.

Sou a neta mais velha dele e da minha avó, e era a mais próxima, visto que seus outros filhos e netos, meus tios e primos, moravam longe. Meu pai, filho mais velho deles, ao contrário, morava na mesma casa, com a minha mãe e meus irmãos.

Por ser a neta mais velha e por morarmos juntos, fui também a neta mais querida deles, a que recebeu mais atenção… e é nessa atenção que começa de fato toda a história.

Eu tinha 13 para 14 anos quando minha avó adoeceu gravemente, restando-lhe pouco tempo de vida, e, instintivamente, por ter mais tempo que  minha mãe, que trabalhava fora, junto com o meu pai, passei a cuidar dela, da minha avó.

Cuidava da minha avó e da casa. Do meu avô, nem tanto, pois ele era relativamente novo, tinha boa saúde, e pouco dependia dos serviços de uma mulher. Ele é quem cozinhava.

Mas dependia de outras coisas.

Vendo a minha dedicação, ele não cansava de me elogiar e agradecer, nem tampouco de fazer de tudo para que eu pudesse continuar estudando, dividindo comigo a tarefa de cuidar da minha avó.

Assim eu fui concluindo o Fundamental, adentrando no Colegial, e sabendo que com o tempo iria para a faculdade, pois ele depositava mês a mês algum dinheiro numa conta que havia aberto no meu nome, e que eu só poderia ter acesso quando fizesse 18 anos.

Todo mês ele me mostrava o depósito e o saldo. Eu me sentia rica. 

E rica, eu agradecia ele, sempre.

Agradecia como eu podia, como ele queria… precisava.

Precisava enquanto minha avó definhava, mas ainda restava a esperança de que ela continuasse entre nós, e preciso muito mais ainda depois que ela se foi.

O tempo foi passando, fiz 18 anos, acessei minha conta no banco, do que o bastante para pagar toda a minha faculdade.

Fiz a faculdade, conheci o Marcos, hoje meu marido, namoramos, casamos… e depois de casados vim morar com ele um tanto distante do meu avô, e dos meus pais, que permaneceram por lá.

Nunca mais estive com o meu avô para agradecer no que ele precisava. Já com idade, com certeza nem precisava mais. 

Então, chegando aos dias atuais, feito o inventário, meu avô havia dividido tudo quase que igualmente aos filhos, mas tinha feito questão de deixar para mim a casa.

Porém, além da documentação da casa, o advogado me chamou em particular numa sala e me entregou um envelope.

– Isso aqui ele pediu para lhe entregar em mãos e em segredo… segredo absoluto. Só abra quando estiver só.

Dentro do envelope, uma carta, uma longa carta, e um pedido.

A carta, páginas e mais páginas manuscritas, contendo uma espécie de diário, uma descrição pormenorizada e romantizada de todo o meu tempo de vivência naquela casa, desde o meu nascimento, praticamente.

E tudo escrito de uma tal maneira que parecia até que eu mesma havia escrito, tudo detalhado, tudo lembrado, e tudo me trazendo lembranças e mais lembranças.

Mas não eram lembranças pura e simplesmente, daquelas que você lembra os fatos, sabe que aconteceu, mas não vai além disso.

Muito mais que isso, eram lembranças tão claras e tão vívidas que até parecia que eu estava vivendo ainda o momento, os momentos. 

Era como se houvesse algo mágico trabalhando na minha cabeça, eu nem precisava me esforçar para reviver cada momento.

– Vô… é você que está me fazendo isso? – cheguei a perguntar ou, na verdade, nem perguntei, porque sabia que era ele, só podia ser ele.

As lembranças, assim como toda a carta, me trouxeram de imediato uma alegria, uma luz, uma sensação de leveza, bem-estar, felicidade pura.

Mas o pedido… 

O pedido, num primeiro momento me fez sentir vontade de matar o meu avô, se ele já não estivesse morto.

Coisa imunda, impensável!

Mas assim como a carta havia me levado àquele brilho interior, também o pedido, conforme eu relia, conforme eu pensava a respeito, também foi me iluminando, me trazendo um brilho, e me fazendo acreditar que eu podia, sim, atender ao último pedido feito por ele, ainda em vida.

Passaram-se alguns dias, fui me compenetrando disso, e a cada dia eu me sentia mais cheia de luz, e com a certeza cada vez maior de que o meu avô, onde quer que ele estivesse, estava feliz… feliz junto comigo.

– No final, serei eu que estarei lá com você, como naqueles tempos, como em todos aqueles tempos. 

Mas eu não queria trair o Marcos, meu marido, não queria me envolver com outro homem. 

Nunca tinha traído, desde o casamento eu havia sido apenas dele, somente dele.

Confusa, contei para a Júlia, uma velha amiga, mostrei o pedido feito pelo meu avô, e expliquei que eu até queria, e muito, atender ao último pedido dele, mas que não queria de modo algum me envolver com outro homem.

E com o Marcos não podia ser, ele iria descobrir tudo.

– A solução é um garoto de programa. – ela disse.

– Garoto de programa? – me espantei.

– É uma forma de você estar com outro homem, viver o momento, e só o momento, aproveitar, e acabou, sem nenhum envolvimento… é o que eu faço.

– Você faz…!?

E foi ela, minha amiga, quem se incumbiu de arrumar a pessoa para mim.

E foi ela também que organizou, praticamente sozinha, um plano para que eu pudesse atender ao pedido do meu avô sem levantar suspeitas no marido e também nos meus pais, que ainda moram na casa.

Pedi um mês de férias no meu emprego.

O plano… dar uma reformada básica na casa, raspando o último dinheiro que restava do que o meu avô havia me dado ao longo de mais de uma década.

 Dinheiro suficiente para pagar a reforma, pedreiro, carpinteiro, pintor, eletricista… e o garoto de programa, um rapaz com idade um pouco maior que a minha, musculoso, de boa aparência, mas que não entendia nada de reformas.

– Você age como um arquiteto… quer dizer, vamos fingir que você é um arquiteto, mas seus contatos serão apenas comigo.

– Por uma semana? Posso até dar um desconto, mas, mesmo assim…

– Não se preocupe, faça suas contas e já vou acertando.

– Certo! Combinado, então. Segunda-feira, agora?

– Sim. Mas até lá, leia isto aqui e fique sabendo exatamente tudo o que deve ser feito.

Eu já tinha escrito um roteiro, seguindo a ordem dos acontecimentos, e era o que eu esperava dele, começando na segunda-feira e terminando na sexta.

Ele deu uma lida por cima e me questionou:

– Mas… e os operários, seus pais…?

– Eles serão o tempero, a pimenta.

– Tempero, pimenta?

– Você vai entender. Agora vai, e apareça segunda-feira, bem de tarde.

O roteiro

Segunda-feira, tardezinha, quase escurecendo, já.

Pela janela mais alta da casa eu olhava todos os arredores, as árvores, os animais, as pessoas, toda a vizinhança.

Minha mente trabalhava em silêncio, minha mão, meus dedos, seguiam a minha mente.

Era quase o momento já.

Foi quando ouvi passos na escada, senti a presença, disfarcei meu ato, mas fiquei imóvel, sem conseguir me mover ou mesmo falar qualquer coisa, enquanto ele se aproximava, chegava bem perto, juntava seu corpo ao meu, me abraçando num ângulo que lhe permitia…

– Deixa que eu faço pra você. – falou, levando sua mão na direção do meu sexo, procurando adentrar por dentro do shorts, da calcinha.

– Não! – eu devia ter falado, senti que precisava falar, mas não quis falar.

Seus dedos foram hábeis, e em poucos minutos eu já não olhava mais nada ao redor, apenas fechava os olhos e me entregava ao prazer, doce prazer.

Nem de longe as minhas masturbações se comparavam ao prazer provocado por mãos alheias, dedos alheios.

– Gostoso?

– Hum hum! Só que…

– Não fala nada, não precisa ficar com vergonha… e quando quiser… te faço sempre.

Retirou a mão, ajeitou minha calcinha e o shorts, me deu um beijo na testa, e se foi, descendo a escada.

Demorei meia hora ou mais até voltar do paraíso. Um paraíso confuso, mas um paraíso.

Terça-feira, novamente de tardezinha.

Alguns dias haviam passado e, por razões diversas, eu não tinha estado naquele cômodo, naquela janela.

Vivia ainda o encanto daquela primeira vez, na dúvida se havia sido bom ou ruim, se podia acontecer novamente ou não… sabendo que havia sido bom, mais do que bom, maravilhoso, e querendo que acontecesse novamente.

Querendo fazer acontecer.

Fazendo acontecer.

Ele reinava com alguma coisa no quintal quando passei, dei um “oi”, e caminhei rumo à casa, deixando ele perceber claramente onde eu ia, o que ia fazer.

Mas não fiz nada, a não ser chegar na janela e olhar para baixo… ele já estava a caminho.

Nem sei dizer sobre o meu nível de excitação.

Excitação que ele logo matou, não uma, mas duas vezes praticamente na sequência, com seus dedos hábeis, seu abraço por trás, algo roçando minhas nádegas, e suas palavras doces, mais do que doces…

– Goza, menina, goza! Goza gostoso… gostoso…

Como não gozar?

E como dizer não quando me virou de frente e conduziu minha mão até o seu membro, duro, rígido, enorme?

Como dizer não, se era o que eu queria?

E como ele me orientou… ficar o lado dele, como ele havia ficado ao meu lado naquela primeira vez, encher minha mão com aquele instrumento enorme, agitar, apertar, tudo conforme ele ia pedindo, até que ele despejasse na parede em frente o prazer que eu causava a ele.

Despejou na minha mão também.

Quarta-feira, dessa vez de manhãzinha, praticamente sozinhos na propriedade.

– Hoje vou fazer diferente. – foi dizendo, recostando-me na parede, ajoelhando aos meus pés, levantando minha saia, baixando minha calcinha…

Eu queria engolir ele todinho, sua língua dançante, sua boca, sua cabeça, ele todinho, todinho…

Prazer triplo, de me deixar mole, pernas bambas…

Tempo.

– Não vou fazer na sua boca, não. – ele disse, me vendo ajoelhada, segurando seu pênis, mamando a cabecinha, e olhando para cima com um certo desespero no olhar.

Vai fazer aonde, então? Pensei, ainda mamando, agora com mais confiança.

Foi na parede outra vez. 

Na hora H, segundos antes, ele me fez levantar e continuar só na mão, como já havia feito antes.

Quinta-feira, mais uma vez de manhãzinha.

Os dois já metade extasiados, depois da cunilíngua, depois da felação… um gozo para cada lado.

– O que é isso? – perguntei, vendo ele tirar do bolso uma latinha parecida com latinha de pastilhas.

Era vaselina, e foi num canto daquele quarto, afastados da janela, me debruçando sobre uma cômoda velha.

– Não vai machucar?

– De jeito nenhum. Vou com jeitinho, com carinho… assim, devagar… bem devagarinho… assim… assim…

– Hummmmm!

Sexta-feira

Não entendi porque ele havia falado para subir até o quarto já bem de noitinha, como também não entendi porque, durante o dia, ele havia carregado um colchão de solteiro pra lá.

Só fui entender de noitinha mesmo, já no local.

– Camisinha?

– Se você quiser.

– Eu quero!

Sábado

Anos haviam se passado, mil vezes aquele quarto eu tinha visitado, tínhamos visitado.

– Goza gostoso, menina, goza!

Já se aproximava o meu casamento, já não ficava bem… 

– E então amiga, como foi? – perguntou a minha amiga, no domingo.

– Foi de arrepiar. Estou em choque até agora.

– Choque!? Foi tão horrível assim?

– Não. Muito pelo contrário, foi maravilhoso reviver aquelas coisas todas, sentir aquele brilho por dentro…

– Oxi! Então não estou entendendo nada, nadinha mesmo.

– Não… eu sei… nem eu mesma entendo. Mas olha o meu saldo no banco. Todo o dinheiro que tirei, que gastei… tinha deixado tudo no zero… mas está tudo lá, nem um centavo a menos.

– Mas qual o problema? Erro do banco, com certeza.

Será?


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