Uma brincadeira que foi longe demais

Não sei se isso é um conto erótico.

Talvez seja muito mais um grito de socorro.


Vivido e escrito por: Joana S. B. (2001)
S. B. Campo – SP
Transcrito por: Anna Riglane

Minha irmã Jorene, dois anos de idade a mais que eu, faleceu faz alguns meses, num acidente de carro.

A gente quase não se conversava e ela se foi carregando um grande rancor para comigo.

Mas sofri e ainda sofro muito a sua morte, pois eu sempre esperei pelo dia que a gente pudesse se entender, que eu pudesse pedir perdão a ela mais uma vez e que ela aceitasse.

Mas não tive esse tempo.

Ela se foi antes.

Por isso é que me deu vontade de escrever esta história, que é a minha história e que foi, ou continua sendo, bastante real.

Essa vontade de escrever ou, mais exatamente, essa compulsão, tem como fundo maior a necessidade de provar a todos e a mim mesma, principalmente, que nem sempre somos responsáveis por nossos atos e que fazemos besteiras que podem trazer problemas sérios, para nós mesmos e para os outros.

E se, de algum modo, minha irmã puder também ler ou saber o que estou sentido, que este escrito sirva para lhe mostrar que tudo o que fiz, em nenhum momento foi com a intenção de afrontá-la. Eu a amava demais para fazer isso.

Explicando melhor, hoje, com trinta anos de idade, não faria, com toda certeza, coisas que fiz ali pelo final da minha adolescência.

Na época eu estava mais para uma criança, não tinha juízo, como dizia a minha mãe, e não pensava nas consequências dos meus atos, sendo movida muito mais pela paixão ou, falando de forma mais clara, pelo “tesão”… próprio da idade.

Tesão e inconsequência me levaram a viver um dos períodos mais agitado, mais arriscado e mais gostoso da minha vida.

Hoje não moro mais em São Paulo, mas quando isso aconteceu, ela lá que eu morava, na Rua Domingo Osvaldo Bataglia, no bairro de Mirandópolis, numa casa pequena de dois andares ou sobrado, como se diz.

Éramos papai, mamãe, eu, Patrícia, e Jorene.

Sempre tive em minha irmã Jorene uma espécie de espelho para mim mesma.

Ela sempre foi muito cuidadosa para comigo e eu muito apegada a ela.

Quando ela arranjou um namorado, o Júlio, num primeiro momento cheguei a ficar meio enciumada, pois achava que sua atenção para comigo fosse diminuir.

Mas isso não aconteceu.

Pelo contrário, além de Jorene, ganhei mais um amigo, pois o Júlio sempre me tratava também com muita atenção e muito carinho e quase sempre me convidava a ir junto com eles para os seus passeios.

Só depois de algum tempo é que comecei a entender que os dois precisavam de momentos de maior intimidade e, então, eu sempre dava um jeito de inventar alguma coisa para fazer, longe deles, de modo a deixá-los à vontade.

Mais um tempo e, dentre outras coisas que foram despertando em mim, surgiu também a curiosidade de ver o que Jorene e Júlio faziam naqueles momentos.

De forma bem simples e resumida, comecei a observá-los, sempre oculta. Nunca desconfiaram dessa minha vigilância ou se desconfiaram, nunca demonstraram.

Até aí, não acredito que tenha acontecido nada de anormal, pois deve ser comum sentir curiosidade a respeito.

A primeira coisa de “anormal” que me lembro de ter acontecido, foi num dia em que o chuveiro do andar superior da casa pifou e tivemos todos que tomar banho no banheiro do andar de baixo. 

Era um sábado e eu estava me preparando para tomar banho quando o Júlio chegou.

Abri a porta para ele e expliquei que a Jorene e os pais haviam ido até o mercado e que não demorariam a chegar.

Até aí também não haveria nada de anormal, se eu não estivesse coberta apenas por uma toalha.

Havia tirado a roupa em meu quarto e descido nua, apenas carregando a toalha, pois sabia estar sozinha em casa.

E quando a campainha tocou e vi que era o Júlio, apenas me enrolei na toalha para atendê-lo.

Mas fiz isso tudo com a maior naturalidade, sem nem ao menos pensar a respeito.

E ele também parecia nem ter reparado nisso.

Acho que já éramos muito íntimos, quase como dois irmãos, para que ele reparasse.

Mas não foi bem assim.

Ele ficou na sala, esperando, enquanto entrei no banheiro.

E o gozado é que só quando terminei o banho e me enxuguei é que me dei conta da minha situação.

Por alguns instantes fiquei pensando como iria passar pela sala apenas enrolada na toalha.

Incrível como de repente tudo mudou. Até pareceu que eu havia perdido a inocência.

Mas eu não tinha outra saída.

Procurei cobrir ao máximo o meu corpo e saí, com a intenção de passar às pressas pela sala.

Mas me ocorreu que ao subir as escadas ele poderia me ver sem nada por baixo.

Por isso foi que me vi na obrigação de falar alguma coisa.

– Não repara eu estar assim. – eu disse. – Não esperava você chegar e não trouxe a roupa para…

– Você está maravilhosa assim. – ele disse, causando-me uma certa surpresa.

Júlio sempre elogiara minha beleza, mas nunca eu havia imaginado que seus elogios pudessem ter alguma conotação diferente.

Mas ele não ficou somente no elogio.

– Mais maravilhosa ainda seria se estivesse sem a toalha. – ele disse.

Sorri encabulada, dei dois passos para frente, parei, sorri novamente.

Resolvi desaparecer.

– Não vá ficar me olhando. – eu disse, enquanto subia apressadamente as escadas.

Aliás, eu estava apressada, desconcertada e apavorada.

Era uma situação inteiramente nova para mim.

E fiquei mais desconcertada e apavorada ainda quando ele, de lá do sofá, falou:

– Estou vendo tudo.

Minha única reação ao ouvir isso foi colocar a mão sobre a toalha e comprimi-la contra minha bunda, para que ele não visse.

Depois, no quarto, já mais calma, comecei a pensar no que tinha acabado de acontecer.

E minha primeira reação foi de repudia, pois nunca havia me passado pela cabeça que o Júlio pudesse, ainda que de brincadeira, fazer certas insinuações para comigo e, mais ainda, que ele pudesse fazer isso com a própria irmã da sua namorada, de quem ele parecia gostar tanto.

Sua imagem de moço sincero e puro começou a se desfazer.

E a minha também.

Talvez, só mesmo uma menina com o tão pouco juízo que eu tinha naquela época, e com tanto fogo, é que saberá me compreender, por eu ter me sentado na cama, ainda nua, e ter me masturbado.

Depois me vesti, mas fiquei envergonhada de mim mesma e só desci para a sala, quando meus pais e Jorene já haviam chegado.

Além de uma certa vergonha, eu tinha, como tinha também nas outras vezes, que as marcas da masturbação ainda permaneciam no meu rosto, e que qualquer um iria perceber se me visse logo em seguida.

Passaram-se algumas semanas, depois daquele episódio, em que nada mais de anormal aconteceu.

Quer dizer, não aconteceu entre eu e Júlio, pois que na minha cabeça, muita coisa mudou e mudou de forma repentina.

De repente eu via no Júlio, o namorado da minha irmã, uma pessoa que poderia… que poderia brincar comigo.

Explico.

Eu temia perder minha virgindade, pois isso era uma coisa que ainda bagunçava muito a cabeça de qualquer menina naquela época.

A gente vivia numa de querer ser liberal, mas ao mesmo tempo temia que ser liberal poderia significar ser rejeitada na hora da escolha para o casamento.

E casamento, queiramos ou não, ainda fazia as nossas cabecinhas.

Por tudo isso, “brincar” parecia ser a solução ideal para qualquer casal de namoradinhos, conforme eu ouvia amiguinhas minhas falarem.

Elas contavam cada coisa de arrepiar, que tinham feito ou que tinham ouvido de uma amiga que tinha feito. E arrepiava em todos os sentidos, se é que estou sendo clara.

Eu precisava arrumar um namorado para “brincar”.

Júlio.

Era já comum o Júlio estar lá em casa mesmo quando não havia mais ninguém além de mim.

Às vezes ele chegava antes da minha irmã voltar da faculdade a gente ficava conversando.

Eu conversava uma coisa e minha cabeça pensava outra.

Ficava olhando para ele e imaginando que a gente podia estar “brincando”.

Um dia, num daqueles momentos de loucura, resolvi que deveria dar um jeito na minha situação.

Simplesmente levantei de onde eu estava e fui me sentar no sofá em frente, no colo de Júlio.

Mas não fui a seco.

– Estou com vontade de fazer uma coisa. – eu disse.

– O quê? – perguntou ele.

– De brincar com você. – falei, enquanto me sentava, sem pensar no que aconteceria se ele me desse um fora, com que cara eu ficaria.

Naquele dia só trocamos alguns beijos e ele me passou a mão em alguns lugares excitantes, mas por cima da roupa, pois minha irmã estava para chegar.

Mas em outros dias, e durante quase três anos, a gente parecia marido e mulher… mas nem tanto.

Eu ficava quase todinha pelada.

Só não deixava tirar a calcinha.

A gente se beijava, se abraçava, deitava na cama, no sofá, fazia mil coisas.

Ele me chupava, eu chupava ele.

Ele me fazia gozar. Eu fazia ele gozar.

Muito tempo depois, ele começou a puxar minha calcinha de lado e então ficávamos esfregando os sexos.

Depois ele começou a por a cabecinha.

Eu já tirava a calcinha, mas nunca que deixei colocar tudo.

Foram quase três anos que para mim era um paraíso, para Júlio era um paraíso.

Ele não podia mesmo querer outra vida, pois tinha duas irmãs à sua disposição, muitas vezes estando ora com uma ora com outra em questão de minutos.

Quando minha irmã ia tomar banho, por exemplo, a gente aproveitava um pouquinho.

Ou, então, ele chegava em casa mais cedo, sempre mais cedo, até que, aproveitando que minha irmã não ficava em casa à tarde, ele vinha quase todas as tardes em casa, sempre mais cedo. Brincava bastante comigo e depois ia namorar minha irmã.

Quando um menino que morava na mesma rua me pediu em namoro, aceitei.

Mas namorava com o menino só por namorar.

Nem tinha muito interesse em “brincar” com ele, pois minhas brincadeiras favoritas eram com Júlio, o namorado da minha irmã.

E nossas brincadeiras foram ficando cada vez mais ousadas, mais parecidas com brincadeiras de marido e mulher.

Eu só estava vendo o dia em que não aguentaria mais o tesão e deixaria ele colocar tudo em mim.

E ele também andava louco para colocar tudo.

Mas a gente não podia.

Um dia, ele falou de colocar atrás.

Demorou muito tempo até eu me convencer, mas… um dia eu deixei.

Deixei noutro dia.

Deixei noutro…

E eu deixava por era, simplesmente, gostoso, foi ficando cada vez mais gostoso.

Eu deixava sempre.

Na verdade, eu já não deixava quando ele pedia, pois eu pé quem pedia.  

Para mim aquilo era bom e também uma forma de um alívio sexual ao mesmo tempo. Bom porque era de fato gostoso ele comer minha bunda. E alívio, pois assim ele não ficava me tentando a dar a xoxota.

Se eu pudesse lembrar de quantas vezes fizemos isso.

Mas não lembro.

Foram tantas vezes que não me lembro.

E fazíamos tanto que muitas vezes aproveitávamos até mesmo alguns poucos minutos que tínhamos disponíveis.

Às vezes, quando o tempo era muito curto, nem chegávamos a tirar completamente a roupa.

Até que um dia, depois de havermos planejado e marcado mais uma tarde inteirinha só para nós, ficamos bem à vontade, em meu quarto, os dois completamente nus.

E naquele dia o Júlio quis uma novidade.

Queria que a gente fizesse em pé, para que eu pudesse ter mais liberdade com o corpo e assim pudesse esfregar mais e melhor minha bunda nele.

Foi o que fizemos.

Fiquei só com as mãos apoiadas na cama e ele me pegou por trás, penetrando o meu traseiro, como já estava acostumado a fazer.

Pedia para eu esfregar a bunda e “morder”.

– Com quem você aprendeu isso. – eu perguntava.

– É gostoso, não é?

– Demais! Mas com quem você aprendeu? Com a Jorene? Ela faz isso? Ela dá a bunda para você?

Estava tudo muito bom demais.

Tão bom que nem percebemos a entrada da mana na casa.

E quando percebemos, já era um pouco tarde.

Como as coisas mudam!

Por todo o tempo, desde que comecei com aquelas brincadeiras com o namorado de Jorene, sempre fiquei muito à vontade e parecia mesmo não temer se algum dia ela nos pegasse em uma situação comprometedora.

Mas naquele dia, diante da iminência do flagrante, simplesmente tremi toda e não conseguia sequer coordenar direito meus atos.

Júlio foi quem primeiro percebeu que ela estava na casa.

– Sua irmã! – ele falou, tirando de mim e se afastando, procurando suas roupas.

Ainda levei um certo tempo até entender o que ele estava dizendo, o que estava acontecendo e, depois, um pouco mais de tempo para acreditar que pudesse ser verdade, e mais um tempinho ainda para me decidir sobre o que fazer.

Claro que eu não tinha outra coisa a fazer, a não ser colocar a roupa.

Sabia (e só naquela hora eu descobri isso) que seria muito difícil explicar o que estávamos fazendo os dois juntos no meu quarto, num horário em que Júlio não deveria estar ali na casa.

Sabia que minha irmã não iria aceitar nenhuma explicação com facilidade.

Porém, menos ainda ela iria aceitar se os dois, ou um dos dois, que seja, estivesse sem roupa.

A primeira peça que peguei na mão foi a calcinha.

Mas tive um rápido reflexo de que seria melhor colocar a calça e a camiseta e esquecer a calcinha, pois se me pegasse ainda de calcinha era o mesmo que me pegar nua.

Joguei a calcinha para debaixo da cama e vesti a calça, depois a camiseta.

Estava tentando fechar o zíper da calça quando a mana empurrou a porta.

Caminhei na direção da janela, meio desesperada, querendo fingir que estava olhando alguma coisa lá fora.

Meus sapatos no meio do quarto.

Júlio havia sido mais rápido que eu ao se vestir, mas não resolveu muito, pois também estava sem os sapatos e, além disso, havia abotoado a camisa de forma errada, com os botões fora do lugar.

A mana não disse nada.

Simplesmente olhou para nós dois e voltou para a parte baixa da casa.

Fiquei olhando para o Júlio, sentindo naquele momento muita raiva dele, como se fosse ele o único culpado.

E ele estava sentindo a mesma coisa em relação a mim.

– E agora? – ele disse.

– Vamos dizer que estávamos só conversando. – falei, como se tivesse acabado de encontrar a saída para a grande confusão em que estávamos.

– Vou lá falar com ela. – ele disse, colocando os sapatos e descendo as escadas, enquanto arrumava a camisa.

Fiquei lá no quarto, esperando pela briga, pelos gritos, pelo barulho das coisas jogadas no chão.

Mas não ouvi nada e isso foi a pior coisa que podia ter acontecido, pois eu simplesmente não conseguia saber o que estava acontecendo lá embaixo.

E coragem para descer eu também não tinha.

Mas se já estava horrível aquela minha situação, ficou ainda pior, pois ouvi o barulho do portão batendo e pela janela vi Júlio indo embora.

Deduzi que a mana o tinha colocado para fora de casa sem nem ao menos discutir ou ouvir o que ele tinha para dizer.

A coisa ficava então só entre eu e ela.

Durante o resto da tarde, ensaiei umas quarenta vezes descer e ir falar com ela, imaginei outras tantas desculpas possíveis, cheguei até mesmo a pensar em acusar o Júlio de ter me agarrado, mas não fiz nada disso.

Foi minha mãe quem me tirou do quarto, na hora do jantar.

A primeira pessoa que vi na cozinha foi a mana.

Ela me olhou firme e desviei o olhar.

Depois, ao redor da mesa, a família reunida, conversando, os pais quase não perceberam que estávamos diferentes.

Só uma vez ou outra, quando nos dirigiam a palavra, é que percebiam e faziam algum comentário, indagando se eu ou se ela estava com algum problema.

Fui a primeira a terminar o jantar e sair da mesa.

Fui para o meu quarto e logo minha mãe foi atrás, pois era costume a gente se reunir na sala, naquele horário, para ver televisão.

Minha mãe ficou perguntando várias vezes o que estava acontecendo comigo e eu insistia em dizer que não havia nada.

Dizia que não estava bem e era só isso.

Mas não pude me sustentar nessa posição por mais tempo.

Simplesmente a mana apareceu na porta do quarto e, para o meu desespero, entrou e falou para a mãe que tinha pegado eu e o Júlio na cama, naquela tarde.

– É mentira! – gritei, diante do olhar horrorizado da minha mãe. – A gente não estava… a gente só…

– Os dois estavam se vestindo às pressas. – disse a mana para a mãe.

– Não é o que você está pensando. – falei para ela.

– Vocês pensam que sou boba, não é? Pois fique sabendo que não é de hoje que venho desconfiando de vocês dois. E quer saber mais? Só não peguei os dois pelados, trepando, porque não tive coragem de ver essa cena. Por isso é que fiz barulho antes, para dar tempo a vocês…

Minha vida, nossa casa, tudo virou um inferno.

Minha mãe, com medo que eu estivesse grávida e eu sem saber como mostrar a ela que era virgem, mas não era.

Minha irmã nunca mais falou comigo direito, nunca me perdoou.

Por isso, o meu alívio, depois de quase um ano naquela situação, foi mudar de cidade, para Campinas, para fazer a faculdade.

Desde então a gente só se via de vez em quando, nas ocasiões em que a família se reunia, mas sempre percebi que ela guardava ainda muito rancor para comigo.

E eu bem queria, bem que tentei chamá-la um dia para conversar e explicar que aquilo tudo não passou de atos inconsequentes de uma adolescente.

Mas nunca tive coragem e acabei não tendo tempo, pois ela partiu antes.


Assine para obter acesso

Leia mais sobre este conteúdo ao tornar-se assinante hoje.





Inscreva-se para receber atualizações



amazon.com.br


Descubra mais sobre xcontos.club

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

Descubra mais sobre xcontos.club

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo