O décimo sétimo bilhete

Este é o décimo sétimo bilhete que escrevo não sei para quem.

Meu ônibus, do Jardim Luso até a praça Princesa Isabel, faz um percurso muito demorado, tenho tempo de sobra para escrever.

Pego no ponto inicial, vou sentada, escrevo num caderno espiral.

Não é fácil, sacoleja muito, mas como não tenho mesmo uma letra bonita, fica tudo na mesma.

Há seis meses mais ou menos eu era uma mulher religiosa, dedicada aos filhos e ao marido, obediente, carente, resignada com a minha sorte, acreditando que não havia nascido para ser diferente disso.

Hoje sou uma mulher transformada, perdida, feliz.

Continuo sendo dedicada ao marido e aos filhos, continuo sendo submissa e obediente, continuo sendo religiosa.

Mas alguma coisa mudou em mim.

E como mudou.

Acho que sou a única mulher no mundo que vai para o trabalho feliz.

Aliás, não vou feliz, vou ansiosa.

Não vejo a hora de chegar lá.

Não há nada como ir para o trabalho feliz.

Sou doméstica, não tenho vergonha disso.

Trabalho num apartamento de luxo, para um casal e dois filhos.

Sou uma mulher bonita, tenho um corpo sexy, mas até pouco tempo atrás eu não sabia disso e vivia xingando cada homem que me olhava, cada homem que me sorria, que me falava algum gracejo.

Hoje continuo não dando bola para nenhum deles, porque tenho meu marido e o respeito muito…

Quer dizer, não muito.

(…)


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