A perereca da tia descasada

Por ser meio extenso, este relato está dividido em quatro partes:
– Nada a ver ou tudo a ver
– A tia descasada
– O diário e as coisas da tia
– A perereca tia

Eu tenho uma tia, uma loira gostosona

Meu tio foi-se embora e ela ficou solteirona

Por isso lá em casa é aquela agonia

A tia lá na cama se esfolando todo dia

Nhec! Nhec! Nhec!

A tia é um pedaço

Nhec! Nhec! Nhec!

Não sai do dedilhaço!

Nhec! Nhec! Nhec!

A tia é de amargar!

Acorda todo mundo

Na hora de gozar

A tia me incomoda, fico tarado de fato

Cada gemido dela é uma punheta que eu bato

Só fico vendo o dia que me fervo na cueca

Perco a cabeça e como aquela perereca

Nhec! Nhec! Nhec!

A tia é um pedaço

Nhec! Nhec! Nhec!

Não sai do dedilhaço!

Nhec! Nhec! Nhec!

A tia é de amargar!

Acorda todo mundo

Na hora de gozar

Isso é uma paródia, com todo o meu respeito e, na verdade, uma homenagem a um grande personagem do mundo artístico brasileiro, que meus avós  gostavam muito… todos já partiram.

A ideia da paródia surgiu naturalmente, lembrando o meu avô, que sempre cantava essa música e, agora, mais recentemente,  vendo e ouvindo uma tia minha recém descasada e, acreditava eu, muito necessitada… até que um dia aconteceu uma intervenção.

Minha tia, 32 anos, irmã da minha mãe, sempre bonita e respeitosa, de repente se viu sozinha no apartamento onde morava com o marido desde os 21 anos.

Sim, além de respeitosa, a tia é muito gostosa também e desde que aprendi a usar os cinco contra um tenho feito boas homenagens a ela. Homenagens secretas, bem entendido, pois ela tem nada menos que treze anos mais que eu.

E também homenagens sem esperanças, pois nunca acreditei, e nem tinha por que acreditar que um dia… um dia…

O marido foi embora. Do nada, de repente, juntou suas coisas e sumiu.

Toda a família estranhou, pois viviam bem e, justamente quando estavam reformando o apartamento, ele dá o pinote.

Alguma coisa tinha acontecido.

Será que ele arranjou outra?

Será que ela andou enfeitando a cabeça dele?

Essas e outras eram as fofocas que eu ouvia a boca miúda, inclusive da própria irmã dela, minha mãe.

E também eu ficava conjeturando, confesso.

Até que um dia a tia me pegou no contrapé, e me intimou a ir com ela até o apartamento.

Que situação a minha!

Mas o que aconteceu de fato foi que a tia já estava morando aqui em casa desde a separação, porque tinha medo de ficar sozinha no apartamento.

E vai daí que numa certa tarde, pensando estar sozinho em casa, acabei entrando em mais uma homenagem a ela, no banheiro, com a porta apenas encostada.

A tia chegou da rua apertada para fazer xixi, empurrou a porta, e me pegou com as calças arriadas, fazendo aquele lovorzão.

Disfarcei, ou tentei, ela fingiu que não viu, ou tentou, ficou aquele clima, tratei de ceder o banheiro a ela, corri para o meu quarto e jurei que dali só sairia quando não houvesse mais nenhum sobrevivente humano na Terra.

Menos de cinco minutos depois a tia bateu na porta, empurrou, entrou, me viu deitado na cama.

Com certeza iria me chamar a atenção, lembrar que tenho namorada para essas finalidades e, mais que tudo, dizer para eu ter mais cuidado e respeito, pois tenho irmãs menores e…

Mas ela me chamou para outra coisa.

– Será que você pode ir lá no apartamento comigo?

– No apartamento…!?

(Claro! Vou sim. Você quer dar pra mim, é isso? Sabe que sempre tive vontade e…)

Mas era só para ajudar com umas caixas que ela precisava mover, e também algumas coisas que ela queria trazer para a casa.

Que saco!

Será mesmo que ela não percebeu que eu estava batendo punheta?

Será mesmo que não ficou com vontade ao ver o meu pauzão?

Tá! Não é um pauzão, mas passa dos dezesseis.

De qualquer forma, ela não comentou nada sobre o incidente do banheiro, também não comentei, e sentei ao lado dela no carro rumo ao apartamento.

Acho que a parada vai ser lá, eu pensava. Lá eu como.

E foi parada mesmo, parada dura, de tanto que movi objetos, arrastei móveis, abri e fechei caixas…

Até que achei não um, mas oito cadernos capadura de duzentas páginas, e todos eles escritos, desenhados, papel de bombom guardados…

– Isso aí foi o motivo do teu tio ter ido embora. – ela disse, meio triste, juntando os cadernos da minha mão. – Vou queimar tudo.

– Queimar! Por quê? E por que esses cadernos causaram a separação?

– Coisas dos meus tempo de colégio, faculdade…  quando eu nem conhecia ele ainda.

– Que tipo de coisas?

– Um diário que eu escrevia.

– Um diário! Que legal! Vou ler.

– Que mané vai ler, menino! Foi por causa disso aí que o seu tio me deixou.

– Por isso é que eu quero ler. – falei, tentando ignorar que ela tinha me chamado de menino. – Gosto de coisas assim… namoros, ficantes, primeira vez…

– Mas quem te falou que é isso que está escrito aí?

– Mas claro que é! Só pode ser… sua primeira vez está escrito aqui, não está?

– Está! – ela disse, ou fez, com um semblante meio triste.

– E as outras vezes também… seus meninos, seus namorados…

Parei, porque vi que ela estava ficando cada vez mais triste, fiquei sem saber o que falar.

E então, para a minha surpresa…

– Pode ler… mas depois vou queimar.

Continua…

em breve.






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