O doce veneno da luxúria






Vivido por: Eloísa S. R. (1988)
Aclimação – São Paulo – SP
Transcrito por: Anna Riglane

Trair e coçar é só começar.

Quem nunca ouviu isso?

E quem sabe o quanto realmente é verdade isso?

E quem já levou alguns tiros e quase morreu por causa disso?

Fui tomar vacina contra Covid, ofereci o braço esquerdo, e o enfermeiro perguntou se eu não preferia no direito, por causa das cicatrizes no meu ombro.

– Pode ser neste mesmo. – falei. – Foram cirurgias, colocação de próteses, por conta de um acidente que sofri.

Não ia falar para o moço que, na verdade, era resultado de alguns tiros que o meu marido havia me dado, e que me fez ver a morte.

Não ia falar que eu nunca esperava uma coisa dessas dele, mas que, também, ele nunca esperava me encontrar saindo de um motel com outro.

Quer dizer, esperava sim. Estava profundamente desconfiado do meu romance com o Adalberto, um colega de serviço, vinha me seguindo fazia algum tempo, tinha comprado uma arma… esperou pelo momento certo… quer dizer, errado.

O Adalberto, ao invés de esperar eu entrar no carro para fugirmos juntos, simplesmente acelerou e sumiu, me deixando a pé, sem ter pra onde ir.

Ainda pensei em correr para as dependências do motel, mas foi quando vi o brilho da arma, senti um ferro em brasa queimando a minha carne, comecei a perder os sentidos, vi mil coisas passadas da minha vida, lembrei de coisas que nem sabia mais que tinha acontecido.

Acordei num hospital, horas depois.

Mas como tudo isso foi acontecer?

Fui educada, e por um bom tempo acreditei nisso, aprendendo que a relação sexual entre um homem e uma mulher ou, mais ainda, entre uma mulher e um homem, só deve acontecer como fruto do amor ou mesmo da paixão.

Aprendi, de fato, que para a mulher isso é muito mais verdade do que pra um homem, e que, por isso, ela deve controlar seus impulsos sexuais.

Cresci, me tornei adolescente, virei mocinha, sempre controlando meus impulsos sexuais, esperando e sonhando, como sonham muitas meninas, com o meu príncipe encantado, que me amaria de verdade, a quem eu amaria de verdade e me entregaria por completo… sempre dentro dos limites é claro, pois, para a mulher, até o amor impõe limites ou mesmo sacrifícios, sob pena de acabar matando o próprio.

Tive meus namoricos, sim, meus “ficos”, como se diz, mas sempre dentro dos limites que eu achava prudente e moralmente aceitos por uma menina.

Pela educação recebida, na verdade, meus limites deveriam ser bastante rígidos, minha moral preservada por completo a todo custo. Mas, sabe-se, e não posso negar, sempre uma coisinha ou outra eu permitia, eu me permitia.

E nessa coisinha ou outra eu ia me envolvendo cada vez mais, cedendo cada vez mais, tamanha era a “esquentação vaginal”, conforme falava uma prima minha.

– Não tem hora hora que dá vontade de tirar a calcinha e deixar acontecer? Fala se não tem. – era o que ela vivia me dizendo.

Engravidou com 16 anos, e o namorado nunca assumiu.

A gravidez precoce da prima funcionou como um freio para mim, e por um bom tempo, até mesmo aquelas liberdades, aquelas coisinhas, eu já não permitia mais.

Só fui me permitir tais liberdades, mas não por completo, aos 19 anos, perdidamente apaixonada pelo Marcelo, um colega com quem estudei e que parecia compreender a minha situação, a minha “obrigação” de me perpetuar pura.

– Pode ficar tranquila que você vai sair de lá tão virgem quanto entrou. – ele me disse, pela nona ou décima tentativa de me levar a um motel.

Ele pedia tanto, queria tanto, que acabei sendo vencida pelo cansaço ou, na verdade, pelo medo de que ele fosse procurar com outra o que não tinha comigo.

– Se você não dá, tem quem dá. – me dizia aquela mesma prima, agora com o seu bebê de dois anos e pouco.

Seja o que Deus quiser, resolvi um dia.

Só que eu nem estava preparada ainda, nem tomava anticoncepcional, teria de confiar inteiramente no preservativo, na camisinha.

Não usamos nenhuma.

Entrei naquele recinto super nervosa, acreditando mesmo que estava cometendo ou, pelo menos, me submetendo à maior perdição do mundo, e que dali pra frente minha vida estaria arruinada.

Entre beijos, juras de amor, carícias, e uma pequena dose de Martini, que eu nunca havia tomado, ele me deixou nua, inteiramente nua.

Ficou nu também.

– Vai com paciência comigo. – lembro que ainda pedi.

– Vou sim, vou com bastante paciência. Te amo demais para te causar qualquer dissabor.

E só me causou prazeres.

Sua boca, sua língua, seus dentes, suas mãos, seus dedos, minha boca, meus seios, minhas coxas, minhas nádegas, minha vulva, minha vagina…

Em outros tempos, quando me vinha a “esquentação vaginal”, cheguei a mê masturbar de três a quatro vezes por dia.

Sabia que não devia, mas como era apenas eu e mais ninguém, minha moral ficava preservada.

Com o Marcelo minha moral foi pra cucuia.

Ele me masturbou com a língua, com os dentes, com os lábios, com o dedo… e não foi uma vez só apenas… foram duas, três, quatro.

– Goza, meu amor, goza! Goza gostoso! – ele ficava sussurrando no meu ouvido, me causando um verdadeiro frisson.

O primeiro orgasmo foi ainda meio difícil, eu me segurando, querendo, mas não querendo, com medo do juízo que ele faria de mim.

– Goza, meu amor, goza! Goza gostoso!

O segundo orgasmo já me encontrou mais propensa, mais liberada, mais a fim… muito mais a fim.

Depois o terceiro, o quarto…

Claro! Entre um orgasmo e outro, ele também tinha os seus momentos, ele também gozava, ao sabor dos meus lábios, da minha língua, dos meus dentes, da minha boca, da minha mão.

Não me sujou, mas sujou o lençol todo.

– Você não quer de verdade. – lembro que perguntei, num momento em que eu estava no auge da excitação.

– Já estou fazendo de verdade, já estou fazendo de verdade.

Sossego vaginal.

Sim, entrei numa fase de sossego vaginal. Não que eu não sentisse mais vontade, não quisesse mais ou qualquer coisa assim, pois eu queria mesmo a todo momento, sabia que estava me entregando por amor, que amava e era amada… e que eu não estava me perdendo.

Foi sossego vaginal porque, a partir daquela primeira vez, fomos outras vezes ao motel, fomos algumas vezes no meu quarto, outras vezes no sofá da sala e, muitas e muitas vez, em pé mesmo, num cantinho qualquer.

Ele sempre me acalmava, e eu sempre acalmava ele, acrescentando, inclusive, outros ingredientes, outras práticas.

Certa vez, em pé, ele colocou seu pênis no meio das minhas coxas, me fez gozar só com a esfregação, mas também gozou, me sujou toda.

Numa segunda vez, baixei a calcinha…

– Isso! Esfrega a xoxotinha nele, esfrega.

E num certo dia em que estávamos num motel.

– Vou por aqui.

– Põe! Mas vai devagar, tá bom?

– Tá bom! Deixa eu pegar o gel, vou passar bastante gel, bastante gel…

E ficou passando gel com o dedo, roçando, cutucando, penetrando…

– Quer um dedo mais grosso, quer?

– Quero!

– Quer mesmo, de verdade?

– Quero! Quero!

Foi comigo deitada de bumbum para cima, um certo nervosismo, uma penetração um pouco mais difícil que o dedo… mas um pouquinho só.

Logo a posição já era outra.

– Monta seu cavalinho monta! Faz upa upa…! Tá gostoso?

– Hum hum!

– Bastante?

– Bastante! Bastante! Bastante!

Mas, apesar dos profundos orgasmos que trocávamos com as masturbações, o anal e tudo o mais, ou, na verdade, exatamente por tudo isso, comecei a querer mais.

– Jura que você me ama?

– Preciso jurar?

– Mesmo eu fazendo tudo isso, te dando a bunda, vocês ainda me ama?

– Mas é exatamente por tudo isso que te amo.

– Ah, é! Só por isso?

– Claro que não!

– Por tudo isso, que consigo dizer, e por tudo aquilo que não consigo dizer, pela pessoa que você é, pelo… Ah! Você sabe.

– Sei… acho que sei… então…

– Então quê?

– Come ela.

– Ela quem?

Oito meses depois da minha “primeira vez”, estávamos casados, uma relação gostosa, tranquila, esquentação vaginal durante o dia, sossego vaginal à noite… fazíamos sexo quase todos os dias.

E quase todos os dias ele não perdoava.

– Uma na esquentadinha, outra no esquentadinho, pra ele não ficar com inveja.

Um ano, dois anos, três… seis anos…

Sossego vaginal.

Mas o sossego já não era mais por causa das nossas transas.

O sossego era sossego mesmo, transas cada vez mais espaçadas, mais rápidas, mais orgásmicas do que qualquer outra coisa.

Sabia que ainda nos amávamos, mas já não era a mesma coisa de antes… já não haviam mais tantas juras de amor, tantas carícias preliminares, tantos afagos no depois.

Ele queria logo gozar, eu queria logo gozar, queríamos logo dormir.

Foi perdendo o sabor.

Amávamo-nos com toda força ainda, não havia qualquer desavença, mas o sexo já era, claramente, uma obrigação.

Acho que é assim mesmo, eu pensava. Com o tempo, esfria a compulsão sexual, vai restando apenas o amor.

Talvez fosse a hora de termos um filho, talvez.

É assim mesmo, dizia uma ou outra amiga com quem eu conversava.

Claro que é assim, a gente vai enjoando, dizia a prima, que já estava no seu quinto ou sexto namorado, depois da gravidez, fora os ficantes.

É assim mesmo, eu concluía… é assim mesmo.

Mas então…

Eu vinha trabalhando numa empresa em Diadema, era longe, precisava ir de carro, até que me apareceu uma oferta numa outra empresa, na Rua Vergueiro, bem próximo ao Paraíso, dava para ir e voltar a pé.

Aceitei de pronto.

Conheci o Adalberto.

Não me perguntem como, mas logo rolou um companheiro tão grande entre a gente, que logo também nos tornamos carne e unha.

Não. Não estou falando de sairmos juntos, transar, nada disso, era só coleguismo mesmo, amizade.

A transa, a primeira transa, só aconteceu uns três meses depois, de forma mais que inesperada e surpreendente, tanto pra mim quanto pra ele. Mais pra mim, na verdade, pois ele era solteirão,estava acostumado a pegar várias, dizia mesmo que pegava várias, e eu acreditava, pelo modo dele de ser, pelas piadinhas, pelos convitinhos dissimulados que, de repente, começou a me fazer.

Por três meses era um doce colega, de repente, aquelas insinuações todas.

Um dia aconteceu o aniversário de uma colega, fomos em grupo numa cantina na Rua 13 de maio, nem era preciso ele me trazer em casa, eu podia voltar a pé, estava acostumada a andar, mas ele me levou assim mesmo, quer dizer…

Deve ter sido o vinho, não sei. Só sei que, no carro dele, rodando suavemente pelas ruas, vendo as luzes, as pessoas, passávamos pela Estação Paraíso, paramos num farol, e na nossa frente passou um casal mais agarrado que carrapatos, a menina só faltava comer o rapaz ali mesmo, no meio da rua.

– Ou já foram ou estão indo. – disse o Adalberto.

– Pelo fogo da menina, acho que estão indo. – falei.

– A gente podia ir também. – ele disse.

– Vamos! – falei.

– Sério? – ele perguntou, sem acreditar

– Sério. – confirmei.

Ele passou a dirigir a 120 por hora, tomando o caminho de volta… mas pela Avenida Vergueiro/Liberdade (não sei onde acaba uma e começa a outra), Viaduto Beneficência Portuguesa, Rua Maestro Cardim, até entrarmos no estacionamento de um hotel… hotel mesmo, não era motel.

E se me perguntarem se eu me perguntar, por que falei aquele “vamos” de forma tão enfática, eu não saberia explicar.

Tudo o que sei é que o jantar, o vinho, o rodar de carro pelas ruas, aquele casalzinho e, por fim, a sugestão bastante explícita que ele fez, tudo isso me levou a um “despertar vaginal”.

Uma esquentação vaginal.

Um fogo vaginal incontrolável.

Porém…

… tirando o fator surpresa, não foi, assim, aquele encontro esplendoroso, aquelas transas esplendorosas. Foram só duas, pois eu não tinha muito tempo, e foi só papai e mamãe mesmo… devido ao meu acanhamento.

Sim, eu estava um tanto acanhada, pois era a primeira vez que eu transava com outro homem… era a primeira vez que eu traía o meu marido.

E o marido…

Não sei, mas senti uma coisa tão forte dentro de mim e tive de controlar meu ímpeto de contar pra ele.

Contar e falar que ele era o culpado, por já não me dar mais aquele fogo de antes.

Tratei de tomar outro banho, já tinha tomado um no hotel, junto com o Adalberto. Temi estar cheirando sabonete ou coisa assim.

Dormi em mil pensamentos, revendo e revendo sem parar desde o momento em que desci do carro, que caminhei pelo estacionamento, que passamos pela portaria, que pegamos o elevador… e no quarto, tirando a roupa, antes mesmo de qualquer abraço ou beijo… e a cama, as carícias poucas, a penetração… um orgasmo, outro orgasmo, hora de ir embora.

Eu rememorava aquilo tudo, não acreditava que tinha feito, sabia que tinha feito, não havia mais como desfazer.

E sabia que podia fazer outra vez.

Não achava certo fazer outra vez.

Fiz outra vez.

E mais outra, mais outra, mais outra, cada vez menos acanhada, cada vez mais solta.

E não era amor, não era nada.

Só a luxúria contava, eu queria gozar, gozar e gozar.

Encontros e mais encontros.

Uns ou outros na empresa foram tomando conhecimento.

O Márcio ficou sabendo.

– Quer dizer que para os pobres, nada.

– Não é nada do que você está pensando.

– É sim. Se você soubesse o quanto tenho pensando, o quanto tenho desejado em silêncio!

– Em silêncio? Não quero te dar esperanças, mas prometo pensar em você com carinho. Qualquer hora a gente se fala.

Além da luxúria propriamente dita, do meu prazer em soltar feito uma depravada, na banheira, na cama, no chuveiro, do meu prazer clitoriano, vaginal, anal, da minha satisfação em ficar de cócoras sobre o rosto dele e esfregar minha xana… além de tudo isso, eu já estava também começando a achar tudo aquilo engraçado.

Eu já estava fazendo piadinhas, como gostam de fazer os homens, já levava tudo para aquele lado.

Mas a minha piadinha maior aconteceu certo dia em que eu caminhava pela Rua Domingo de Morais, quando cruzei com um homem, um homem mesmo, uns quarenta e poucos anos, por aí.

Aconteceu então uma troca de olhares, uma certa química, e alguns passos depois não resisti e olhei para trás. Ele estava parado, me olhando, e logo caminhou na minha direção.

Em outros tempos, com certeza eu teria me afastado do local, mas, não sei exatamente por que, ou sei exatamente porque, esperei ele chegar e me dirigir a palavra.

– Oi! Por acaso você está procurando a mesma coisa que eu?

– Por acaso, não. Mas ainda que estivesse procurando algo, não seria a mesma coisa que você, não é?

– Não é…? Por quê?

– Porque você parece estar procurando uma coisa que eu tenho, e eu, se estivesse procurando, estaria em busca de uma coisa que você tem… ou deve ter, não sei.

Ele riu da minha presença de espírito, concordou com a anedota… e nos despedimos depois de tomarmos um chopp na galeria perto onde nos encontramos.

– Vou pensar. Se resolver, eu te ligo.

– Então posso esquecer… quando fala que vai pensar é porque não está a fim.

– Pode ser, mas também posso te surpreender.

E o meu pensar, que durou uma semana, um pouco mais, teve como pano de fundo maior o fato de eu ser casada e de já ter um amante com quem fazia mil estipulias.

De jeito nenhum eu precisava de mais um homem.

E se precisasse, eu já tinha o Márcio na fila de espera.

O desconhecido da Avenida Paulista, me levou num motel na Avenida Ricardo Jafet… a carne tinha falado mais alto, a luxúria tinha vencido.

No início… quer dizer, nos primeiros momentos do encontro, enquanto ainda estava a caminho do motel e mesmo já no motel, alguma coisa em mim batia no sentido de que eu não devia me soltar tanto, que devia ser mais comedida… ao menos na primeira vez eu devia ser um tanto comedida.

Uma das primeiras coisas que fiz, ainda que com a colaboração dele, foi ficar de cócoras, esfregando a xana na boca dele, coisa que eu fazia sempre com o Adalberto, e adorava.

A última coisa foi o anal, primeiro eu de quatro, revirando o lençol, depois de cócoras, numa cavalgada que, segundo ele, nunca tinha visto e nem mesmo imaginado que alguma mulher fizesse.

– Quero te ver outra vez.

– Eu te ligo.

– Mas por que não posso eu te ligar?

– Sou casada, homem Vai que você dá um fora, fala com o meu marido… Deixa que eu ligo.

E liguei pra ele.

E conversei com o Márcio, pedindo segredo, que ninguém na empresa ficasse sabendo.

E liguei também para um outro homem, um cliente da empresa, que um dia fez uma gracinha e que logo respondi com duas.

Por que, além do marido, preciso de três amantes… de quatro amantes, cinco…?

Só a luxúria podia explicar isso.

Chato para uma mulher dizer, principalmente uma senhora casada, mas eu já era sexo, apenas sexo… só pensava naquilo.

E já não me acanhava mais na cama. Na verdade, fazia muito tempo que eu já não me acanhava, a não ser em casa, naquelas ordinárias que o marido insistia em manter, mas que para mim já não fazia diferença nenhuma.

Sei, eu devia ter parado com aquilo ou, então, ter colocado um fim no casamento. Seria mais certo, mais justo, mais honesto da minha parte.

E se um dia ele descobrisse?

Quem descobriu foi o Adalberto.

Eu não falava nada pra ele dos meus outros amantes, fixos ou ocasionais, mas ele começava a perceber, a me fazer mil perguntas… e a me seguir.

Me viu entrando num motel com alguém.

Só esperou o primeiro contato para me cobrar, me condenar, me falar mil merdas.

Me revoltei.

– Escuta aqui, Adalberto… por acaso você é meu marido, é? Nem ele fica me inquirindo desse jeito, por que vou ter de dar satisfação a você?

Brigamos.

Ficamos um tempão sem nos encontrar, sem transar, o que foi uma coisa um tanto difícil, a gente trabalhando juntos, tendo de conversar todos os dias… sem contar a grande vontade um do outro.

Por fim, reatamos.

Ele prometeu não ficar perguntando da minha vida, ainda que, como eu percebia, ele queria que eu fosse só dele, amante só dele.

E voltamos a ter nossos encontros, nossas libidinagens, nossas sacanagens.

E eu com as minhas outras libidinagens, meus outros amantes, até que um dia…

Já contei lá no começo.

Estávamos saindo do motel, vi o carro do Marcelo, vi o Marcelo, entrei em pânico e, nem sei porque, saí do carro, talvez tentando me ajoelhar, pedir perdão, explicar tudo… acho que cheguei mesmo a pensar nisso, cheguei mesmo a pensar que ele me entenderia, que…

Vi a arma brilhando na sua mão.

O Adalberto também viu.

Não houve uma palavra, apenas o meu grito.

– NÃÃÃÃÃÕOOO!

Vi a morte.

Literalmente, vi a morte.

Senti uma brasa quente entrando pelo meu peito, bem perto do coração.

Vi o carro do Adalberto se distanciando a toda velocidade, enquanto eu tombava, meu corpo sem forças.

Me vi criança, vi meus avós, meus amiguinhos de infância, minha primeira escola… toda a minha vida.

Só não vi, nem senti, os outros tiros que estraçalharam o meu ombro, a minha clavícula.

Acordei no hospital.

Segundo os médicos que me operaram do primeiro tiro, que quase atingiu meu coração, esse foi o tiro da sorte, pois foi graças a ele que caí, tombei, enquanto o Marcelo continuava atirando na mesma mira… alguns tiros no ombro, e outros que passaram por cima.

Depois vieram as cirurgias para a reconstrução dos ossos, próteses… perdi 22 quilos, acabou o casamento, ouvi um monte das famílias, que só sabiam, assim como o Marcelo, do Adalberto… não sabiam dos outros.

Voltei da licença médica e logo pedi demissão no emprego… estava todo mundo sabendo, graças à língua do Adalberto, e eu não tinha mais clima para trabalhar lá.

Detalhe:

Já se vão quase três anos desde os tiros quase fatais, e o que tenho notado é que, não sei se por conta dos muitos remédios ou por conta dos acontecimentos, perdi também a libido, perdi o tesão, a luxúria.


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