
Free bad moments
Olho ou não olho a minha mulher transando com outro?
Vivido por: Francisco A. D. (1990)
Indianópolis – São Paulo – SP
Transcrito por: Anna Riglane
Meus amigos mais chegados reunidos naquele churrasco, inclusive o Dalton, meu assassino.
Suas mulheres também presentes, inclusive a Lídgia, minha mulher.
E presente também aquele Álvaro, que sempre havia rondado a Lídgia na expectativa de conseguir alguma coisa, e que sempre fora menosprezado por ela.
Ausentes apenas eu e a Luana, mulher do Dalton… quer dizer, ausente apenas a Luana, porque também eu estava ali.
Por onde andava Luana?
Por que nunca mais a vi desde aquele meu último dia?
Não teria ela morrido também?
Teria ela escapado do mesmo trágico destino meu?
Talvez tivesse sobrevivido.
Talvez os tiros que levou não foram suficientes para lhe subtrair a vida.
Talvez tivesse se recuperado no hospital.
Recuperação, aliás, que foi a minha última esperança, a última coisa que pensei, o único fio que restava pra eu me agarrar, antes que tudo virasse escuridão.
Estranho essa vida de morto, um tanto confusa.
Complicado estar ao lado de pessoas do seu convívio, olhar para cada uma delas, ouvir o que elas dizem, e não ser notado, não ser percebido.
Estranho falar, gesticular, tocar a pessoa, derrubar objetos próximos, e ninguém perceber nada.
Talvez, como já me informaram nessa minha nova vida… quer dizer nessa minha morte, ainda preciso de um tempo até dominar todas essas coisas, esses truques, começar a ser ouvido e até visto. Mas, por enquanto, estou nessa coisa ainda de parte em vida parte em morte, e isso se deve, talvez, ao fato de não fazer ainda nem seis meses que o Dalton me encheu a testa de azeitonas
Que momento pavoroso aquele!
Depois daquelas horas maravilhosas no motel, a Luana quente como sempre havia sido, aquele carro nos seguindo, a Luana olhando para trás…
– É o Dalton.
E foi só o tempo de parar num farol para ela saltar do carro, o que me fez pensar que ele fosse parar para ter com ela.
Mas ele se pôs no meu encalço, querendo descobrir quem eu era… pelo menos foi o que pensei.
Mas ele já sabia quem eu era, já estava preparado, e algumas ruas depois ele já não estava mais me seguindo, já era perseguição mesmo.
Ruas e ruas, nos afastando das avenidas, da cidade… periferia, rua estreita, um esgoto a céu aberto atravessando o caminho, as rodas da frente afundando e parando seco, o baque.
Ainda tentei abrir a porta e sair correndo, mas a figura do Dalton já estava do outro lado do vidro… seus olhos faiscando.
Minha antipenúltima esperança era que ele quisesse apenas conversar; nos moldes dele, mas conversar.
Mas quando vi movimento no seu dedo que estava no gatilho minha penúltima esperança era que as minhas mãos postas em um pedido de perdão fosse amolecer a alma dele.
E a minha útima esperança, já sentindo o clarão, o branco, do primeiro projetil atravessando o meu cérebro era que eu sobreviveria, que acordaria do coma alguns dias depois.
Mas esses alguns dias depois duraram bem uns três meses, e não houve coma, não houve salvação.
Até pensei que estava saindo do coma, quando me veio certos lampejos de luz e a escuridão começou a se desfazer.
Estou vivo, cheguei a pensar, olhando as coisas ao redor, mas lá mesmo, no mesmo local onde eu havia levado os tiros, e não numa UTI ou coisa parecida.
Custei um bom tempo a perceber, acreditar na verdade, que eu estava morto.
E só conforme fui aceitando a morte é que comecei a voltar à vida… quer dizer, à vida de morto.
Comecei a vagar para qualquer lugar, a “visitar” pessoas… e a descobrir que eu havia sido vítima de um latrocínio, que haviam me levado tudo, menos o carro, por estar danificado.
Filho da puta do Dalton! Policial militar, armou direitinho, saiu livre.
Mas e a Luana… como ele havia se exemido da culpa do assassinato dela também?
Era o que eu andava procurando saber, indo ao encontro das pessoas conecidas nossas, na expectativa de que ela fosse também e a gente pudesse conversar.
Entre mortos é possível conversar.
Não vi a Luana, mas fiquei sabendo dela.
Dentre os muitos comentários que rolaram pelo dia de churrasco, um era que a Luana tinha deixado o Dalton para ir viver com outro cara numa cidade distante.
– Mas vocês tinham um casamento tão perfeito. – comentavam.
– Pois é! Parecia mesmo tudo perfeito, mas um dia ela me escreveu uma carta dizendo estar apaixaonada por outro homem, um coleguinha do Fundamental, e que queriam viver juntos. Na carta ela não diz diretamente, mas deixa claro que já esta a me traindo desde antes do casamento.
Então o Dalton não matou a Luana, foi a grande descoberta que fiz.
Mas essa história da carta, essa coisa de que queríamos viver juntos e que por isso ela o deixou, isso era tudo mentira dele, pois em nenhum momento a Luana chegou a me propor isso. Ao contrário, ela estava muito feliz com o casamento e os os nossos encontro não passavam mesmo de recordações dos nossos tempos de adolescentes, quando vivíamos pelos muros, pelos quintais… e até mesmo pelos quartos, dela ou meu.
Mentira do Dalton. Por certo ele a obrigou a ir embora, isso sim. Obrigou também a escrever a carta, ficando com uma prova de de que fora ela, e não ele, a causadora da separação.
E como tinha arranjado tudo com os seus colegas de farda para não aparecer na cena do meu assassinato, estava tranquilão.
Só que eu queria quebrar a tranquilidade dele. Ele tinha me matado, precisava pagar pelo seu crime.
Mas como?
A ideia surgiu num momento em que vi a Lídgia fazendo um desenho para uma das crianças ali presentes, numa folha de guardanapo.
Lembrei da carta que o Dalton dizia ter, pensei em também escrever uma carta… para a Lídgia.
Uma carta psicografada.
Fiz algumas tentativas que começaram a dar certo. O estojo de lápis da criança sobre a mesa, ao alcance da mão esquerda da Lídgia, que ela é canhota…
Postado atrás dela, comecei a tentar interferir nos seus pensamentos, mas não tinha prática nisso e o máximo que conseguia era fazer com que ela pegasse um lápis e posicionasse sobre o guardanapo, como se fosse escrever alguma coisa, mas ela não escrevia, ficava estática.
Era claro que ela estava sentindo a minha pressão sobre a sua mente, seu estado de concentração mostrava isso. Ela só não sabia o que escrever… simplesmente, porque eu não tinha falado.
Foi então que, num grande esforço, sugeri o meu nome, e nem acreditei quando ela começou a monografar sobre o guardanapo.
Sugeri que repetisse, e ela escreveu outra vez, e mais uma vez.
Quase vivi de alegria. Agora era só fazer ela escrever que o Dalton era o meu assassino. Mas eu queria fazer isso sem revelar o meu caso com a Luana. Fiquei pensando em como fazer e, quando vi, ela estava escrevendo Luana no guardanapo.
Esfriei, ela não podia saber da Luana.
Ainda indeciso, acabei sendo salvo pelo Álvaro, quer dizer…
O filho da puta chegou até a mesa onde ela estava e, vendo o meu nome repetido naquele papel, começou uma ladainha, falando que já havia passado algum tempo desde a minha morte e que ela devia aceitar, se conformar… partir pra outra… ou outro.
E o outro, desgraçado, era ele, convidando-a para dali rumarem para um motel…
Ela resistia à ideia, e eu, sobre a cabeça dela, quase reencarnava, tamanho era o esforço em repetir, e fazer ela repetir, que não deviam ir a um motel.
– Nada de motel. Nada de motel! – eu repetia à razão de não sei quantas vezes por segundo.
Só me esquecia de um detalhe: motel não é o único lugar onde se faz essas coisas.
– Motel não. – ela disse, depois de toda uma enchurrada de pedidos do Álvaro. – Motel não… mas se quiser ir lá em casa.
– NÃO!!! – quase gritei… quer dizer, gritei, só que ninguém me ouviu.
Era para escrever a carta, psicografar, e não…
Fiz mil estripulias… vento que surgiu de repente, derrubando coisas da mesa, campainha tocando sem que tivesse alguém acionando o interruptor, uma labareda surgindo das brasas da churrasqueira, chegando até o teto, dando o maior susto no Dalton, fora outras coisinhas que de nada adiantaram.
Tudo o que pude ver, já de tardezinha, foi o pessoal se despedindo, a Lídgia tomando o caminho de casa, que era também a minha casa, no seu carrinho, que era também o meu carrinho… e o Álvaro dirigindo o carro dele logo atrás dela, todo bobo de felicidade, pois ia, finalmente, comer a Lídgia, coisa que ele sempre havia desejado.
E eu…?

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Anna Riglane… Jornalista, historiadora, pesquisadora do comportamento sexual humano, coletora/escritora e divulgadora de Contos Eróticos transcritos a partir de relatos dos seus leitores e/ou com base em fatos do cotidiano
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