Três namorados, menina? Os apuros

Três namorados, menina? (1)

Vivido por: Júlia C. F. (2000)
Bela Vista – São Paulo – SP
Transcrito por: Anna Riglane

Se a vida é feita de momentos, tenho os meus momentos: momentos bem meus, movimentos dos outros que acabam sendo meus também.

Eis os momentos.

Flagrante… existe coisa mais horrível?

Que situação a da Jéssica, minha colega de trabalho e amiga, só não pediu demissão na empresa porque agora, mais do que nunca, precisa do salário para se sustentar; o maridão se foi.

O que eu tenho ouvido ela chorar!

Também… flagrada pelo marido na saída do motel… até aí, meio que normal.

Mas o que deixou o homem mais enlouquecido é que ele esperava pegar ela com um amante, não com dois.

– Com dois…? Ao mesmo tempo…? – fico perguntando e reperguntando a ela, só imaginando… na cama, com dois homens.

Céus!

Nunca que eu teria coragem de fazer uma coisa dessas.

Bom…

Ficar com dois ao mesmo tempo eu já fiquei, mas foi só ficar mesmo, lá pelos tempos de colégio, os dois a fim de mim, eu a fim dos dois, uns amassos estilo violentos, umas bolinações de violentar a inocência, umas fornicações de trancar as pernas, quando a vontade mesmo era abrir… mas na cama, isso nunca.

Como será que é?

E  minha curiosidade maior:

– Mas… como é que rolou, como é que você chegou nesse ponto de ir pro motel com os dois?

– Desculpa, amiga, mas não tenho condições de falar sobre isso agora.

– Entendo, entendo, mas qualquer dia você me conta… por favor.

Minha primeira vez

Minha virgindade perdi quando eu tinha…

Não é recomendado falar.

O Luan queria me comer, o David queria mais ainda, quase comeu, eu já vinha naqueles pegas fenomenais com um, com outro, com os dois, mas quem me pegou de jeito foi o Robertinho, amigo do meu irmão.

Como ele mesmo disse, veio correndo por fora, veio correndo e, já na reta final… craw! Me deu um créu.

Foi na praia, nuns dias que passei lá com os meus pais e irmãos, e ele, o azarão, foi junto; e deixou de ser azarão.

A gente já estava que era só formigação, eu só vendo o momento da minha perdição.

E foi quando voltamos da areia antes dos outros, eu só de biquíni, o chuveiro de fora, nós dois sob a água, o refúgio da casa, da sala, do sofá… foi só soltar o lacinho do biquíni.

Mas teve de ser rápido, quase nem teve graça.

Mentira!

Teve muita graça, sim, ele gozou, eu gozei, ele ficou querendo mais, eu fiquei querendo mais.

Então ele deu um outro créu, naquele mesmo dia, de noite, em pé, do lado de fora da casa, depois outro créu, outro créu… me comeu direto por um bom tempo; come ainda, mas só de vez em quando.

– Tenho namorado, menino. A gente não pode mais.

Meu primeiro e único namorado 1

Conheci o Fran na faculdade, no meu primeiro ano de odontologia. Conheci do verbo vamos sair, tomar um chopinho.

Eu nunca tinha saído para tomar chopinho, e também nunca tinha ido em motel.

Fiz as duas coisas numa única noite… digo, começo de noite, pois eu ainda não era de dar essas esticadas noite afora. Na verdade, ainda nem sou muito.

Começamos a namorar, mas não deu muito certo, e também não deu muito errado.

Foram alguns meses de amor profundo amor, uma trepação do cacete (entenderam, não é, e peguei ele com outra, a Lorena, menina da nossa classe

– Mas a gente só estava ali conversando, aí resolvemos tomar uma cerveja…

– Lá no fundo do barzinho…

– Não tinha mesa vazia na frente.

– E de mãos dadas…

– Não foi nada disso.

– Foi, que eu vi.

– Não foi.

– Foi.

– Tá certo, foi. Mas perdoa, vai! Foi só um deslize.

– Tá bom, eu perdoo. Mas eu também vou deslizar.

– Faz isso não.

Gozado esses homens! Querem deslizar, mas se cagam de medo que a gente deslize.

O Fran é bem assim, vive de marcação cerrada comigo, não posso nem respirar direito outros amores.

Mas…

Meu primeiro e único namorado 2

Já tive uma transa no consultório, na cadeira do dentista, quando eu nem era dentista ainda, só assistente.

O Fran tinha a maior cisma, o maior medo, que eu desse para o doutor Fábio, um quarentão bem apanhado, mas casado.

– Você e aquele seu patrão, sei não…

– Seu bobo. Não é com ele não.

Já imaginou se eu conto que transei com um paciente, enquanto o doutor Fábio estava atrasado, preso no trânsito?

Era um garotão ainda, mas deixava transparecer um volume de quem estava necessitado… UAU!

Ficava olhando para as minhas pernas, mas não queria esperar, disse que ia embora.

– Vou ficar aqui fazendo o quê?

– Bom… aceita sugestão?

Eu estava bem carente naquele dia, precisando muito… Pena que foi uma só, o doutor atrapalhou.

Mas super valeu, eu encavalada por cima dele, na cadeira do dentista, eu no controle sobre aquela piroca.

Mas a piroca ou não gostou muito de mim, apesar de ter transado legal, ou não era muito chegada, pois que nas vezes seguintes em que o rapaz esteve no consultório, a namorada estava junto.

E foi com um paciente também que levei outra pirocada, outras pirocadas… boas pirocadas.

Levo até hoje, pois ele é o Gabriel, que me conheceu lá no consultório, que gostou de mim, que ensaiou, ensaiou até criar coragem para me convidar para sair, que me comeu depois de duas saída, que me pediu em namoro.

Estamos firmões até hoje… nem sei como.

Meu primeiro e único namorado 3

– Tá… você diz que o Fran é seu único namorado, mas me aparece aqui com o Gabriel… e agora me aparece com esse Augusto.

– Não é esse Augusto, mãe. É o Augusto, meu namorado.

– Três namorados, menina?

– É… Por quê? É pouco?

O Augusto é irmão de uma colega minha lá dos tempos da faculdade, já pelo finalzinho, quando precisávamos nos encontrar para fazermos o trabalho de conclusão de curso.

Desde o primeiro dia em que fui na casa dela e conheci o Augusto, já vi que ele tinha uma namorada, pois ela estava junto.

E desde o primeiro dia também senti uma química violenta por parte do Augusto, e comecei a ter a certeza de que ele bem poderia deixar a menina para ficar comigo.

Ou… então… ficar com nós duas.

Por que não?

Não sou ciumenta.

Mas não foi bem assim que falei pra ele, algum tempo depois, quando ele já estava me rodeando de um jeito e de outro até que chegou no arrocho.

– Dá pra ser ou tá difícil?

Também não foi desse jeito. A verdade é que estava um dia de chuva, ele me ofereceu carona e, enquanto caronava, me passou a cantada.

Fui difícil.

– Mas você tem namorada, menino!

– Largo dela agora mesmo.

– Agora mesmo?

– Agora, agorinha.

– Tá. Então liga pra ela e diz que está tudo terminado entre vocês.

– Duvida que eu ligo?

– Não só duvido como também não acredito.

– Vou ligar… mas é que… bom… você sabe…

– Sei o quê?

– Você não gostaria que o seu namorado terminasse o namoro contigo assim, de repente, por telefone, sem mais nem menos… gostaria?

– Não sei, eu não tenho um namorado. – falei, sem mentir, pois, de fato, eu não tinha um, mas, sim, dois.

– Me dá um tempo, então, para eu falar com ela.

– Cinco minutos.

– Cinco minutos? Mas…

– Cinco minutos. Pare o carro, ligue pra ela, termina, e depois pode me levar prum motel.

– Mas… mas não é assim, já te falei…

– Já me falou coisa nenhuma… quer dizer, já falou, deixou bem claro, que não vai terminar com ela, ou porque não tem coragem ou porque gosta dela.

– Nisso você tem razão.

– Nisso o quê? Não tem coragem ou gosta dela?

– As duas coisas.

– As duas coisas… então quer dizer que, simplesmente, o mocinho quer me comer, só me comer, não quer compromisso nenhum comigo.

– Bom… você sabe…

– Olha um motel ali na frente.

– O quê?

– Olha ali, um motel.

– Mas…

– Se quiser me namorar, entra. Mas não é namorar só de comer, não. É namorar de namorar mesmo, planejar o futuro, comprar nosso apartamento, pensar sobre quantos filhos vamos ter…

Ele não passou direto pelo motel, mas nem sei como. Foi diminuindo a velocidade, fui falando, foi ficando com aquele “mas…, mas…”, até que dei a ordem.

– Entra logo, vamos!

Não foi aquela transa fenomenal, da primeira vez não foi.

Um tanto foi por culpa minha, por ter colocado nele aquele medo todo de namoro, casamento, filhos.

Outro tanto foi por ele mesmo, meio nervoso pelo medo que lhe coloquei, mas muito mais nervoso pela sua inexperiência.

Inexperiência, sim, pois tanto naquele dia quanto nos outros, fui descobrindo que eu era, praticamente, a primeira grande aventura dele, a primeira vez que ele “se arriscava” com algo diferente.

Tinha a namorada, mas era a primeira e a única e, conforme contou, foi um namoro que surgiu quase espontâneo, ele nem precisou pedir nem nada.

Por isso é que comigo foi difícil, tem sido difícil, mesmo ele já sendo outro, já estando completamente à vontade comigo.

O problema… quer dizer, o que tem sido difícil pra ele, é que não deixo ele terminar com ela. Sempre falo que gosto muito dele, mas que não tenho a certeza de que ele é realmente o amor da minha vida, que não quero estragar a vida dele nem dela, que…

E acontece então que ele ama me namorar, quer sempre, mas morre de medo dela descobrir.

Para mim está super bom, pois o medo o impede de ter mais contato comigo, vir à minha casa, só veio umas poucas vezes, o que significa menos risco de eu ser flagrada com ele pelo Gabriel ou pelo Fran.

Só a minha mãe é que…

– Três namorados, menina?

Ela fica me enchendo.

Ela fica me enchendo, dizendo que no seu tempo era diferente.

Mas a minha mãe não sabe como é gostoso homens diferentes, transas diferentes… ela não sabe.

E também não sabe… quer dizer, até sabe, até ajuda, dos apuros que passos.

É cada situação!

Vou contar algumas, logo mais.

(Continua, em revisão)

__________

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